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domingo, 3 de janeiro de 2016

São João Maria Vianney (1786 - 1859)



"Deveis combater o erro mesmo entre os católicos, pois estes têm menos direito - se posso falar de direito - do que os outros para pregar ideias errôneas. Amais os vossos adversários. Rezai por eles, mas não deveis fazer-lhes cumprimentos. É tempo perdido. Não procureis agradar a todos, nem podeis a todos agradar. Procurai agradar a Deus e seus Anjos e Santos: eis o vosso público!" 
(São João Maria Vianney, o Cura d'Ars)
Comemoração litúrgica: 04 de agosto 

Por onde passam os Santos, Deus com eles passa”. Foi no ano de 1772, que um santo mendigo, Bento José Labre, passando por Dardilly, se hospedou na humilde casa dos Vianney. A benção de Deus entrou com ele naquela mansão; pois poucos anos depois, nasceu lá aquele que no mundo inteiro é conhecido por João Vianney – o santo Cura d’Ars.

Que eficácia maravilhosa da esmola! Deus dá a pobres camponeses um filho, que vem a ser um dos seus grandes servidores, recompensando assim uma obra de caridade, que dispensaram a um pobre mendigo.

João Batista Maria Vianney nasceu e foi batizado em 8 de maio de 1786.

Desde a infância, manifestava uma forte inclinação à oração e um grande amor ao recolhimento.

Muitas vezes era encontrado num canto da casa, jardim ou no estábulo, rezando, de joelhos, as orações que lhe tinham ensinado: o Padre-Nosso, a Ave-Maria, etc. Os pais, principalmente a piedosa mãe, Maria Belusa, cultivavam no filho esse espírito de religião e de piedade.

A França achava-se agitadíssima com os horrores da revolução e como os sacerdotes estivessem exilados ou encarcerados, não foi possível a João Vianney encontrar um mestre, que lhe desse algumas instruções sobre as ciências elementares. Era natural, pois, que passasse a mocidade entregue aos trabalhos do campo. Entretanto João continuava as práticas de piedade com todo fervor e o pecado era para ele coisa conhecida só de nome. Fez a primeira Comunhão numa granja, sendo que a perseguição religiosa não permitia o culto público nas igrejas.

Amainado o temporal da revolução, Vianney achou um grande amigo e protetor, na pessoa do Padre M. Balley, vigário de Ecully, que descobrira na alma de João qualidades superiores, que deviam ser aproveitadas e cultivadas, para a maior glória de Deus.

Se era grande o fervor, admirável a virtude do jovem Vianney, se melhor mestre não podia haver do que o Padre Balley, tudo parecia desfazer-se diante de uma barreira, que se levantava insuportável: a falta de inteligência do estudante.

Não fora a persistência imperturbável do santo sacerdote, Vianney teria desanimado, diante das dificuldades, que se lhe afiguravam invencíveis.

Com as orações e a caridade redobrada que dispensava aos pobres, Vianney alcançou a graça de poder continuar os estudos com algum proveito.

Quando estava prestes a ser recebido no seminário, veio-lhe ordem de apresentar-se à autoridade militar de Bayonne. Foram baldados os esforços do Padre Balley para obter isenção do serviço militar, para o protegido e pareciam aniquiladas de vez todas as esperanças. Vianney, caiu doente e passou quatorze meses nos hospitais de Lyon e de Roanne.

Passado esse tempo, ninguém mais se lembrou dele para o serviço militar e só assim pode matricular-se no pequeno Seminário de Verrières e mais tarde no grande Seminário de Santo Irineu. Mestres e alunos eram unânimes em conceder a Vianney a palma quanto à virtude e santidade entre os condiscípulos. O preparo intelectual do jovem, porém, era tão deficiente, que os mestres não se viram com coragem de apresentá-lo para a ordenação.

O vigário geral do Cardeal Fesch, Mons. Courbon, que em última instância devia decidir a questão, deu consentimento para que Vianney fosse admitido ao sacerdócio e o jovem, teólogo recebeu as santas Ordens a 9 de agosto de 1815. Vianney, contava já 29 anos.

Os primeiros três anos do sacerdócio passou-os na companhia e sob a direção do primeiro mestre e amigo, Padre Balley. Este faleceu e a Cúria episcopal nomeou Vianney Cura d’Ars. O novo campo de ação era o mais ingrato possível. Ars era um lugar sem religião. A Igreja deserta, os sacramentos não eram freqüentados, o trabalho no domingo, a freqüência de bailes e cabarés estavam na ordem do dia. Vianney, vendo o estado das coisas, teve ímpetos de abandonar tudo. “Que vou fazer aqui?” – exclamou. – Neste meio nada farei e tenho medo até de perder-me”. 

Mas logo o seu zelo se lhe reanimou. Fixou residência na matriz e sua primeira ocupação era rezar pela conversão dos paroquianos. Desde a manhã à noite, com pequenas interrupções, ficava de joelhos diante do altar do Santíssimo Sacramento. As frugalíssimas refeições ele mesmo as preparava. 

Depois começou a procurar as famílias. Nas visitas lhes falava de Deus, dos Santos, das coisas da religião. Se bem que a maior parte não lhe ligasse importância, um ou outro reparava na batina rota e velha, na modéstia e piedade, no aspecto austero e mortificado do vigário. Pouco a pouco o povo ficou conhecendo o pároco, cujas orações e mais ainda o exemplo, acabaram por franquear-lhe o caminho aos corações de todos. Alguns começaram a freqüentar a santa Missa.

O número daqueles que acompanhavam o piedoso Cura na recitação do rosário, todas as tardes, crescia de dia para dia e depois de algum tempo, o Santíssimo não ficava nenhuma hora durante o dia, sem adorador. A Comunhão freqüente foi pelo Santo Cura introduzida na paróquia, com muita felicidade. Para as senhoras se fundou a Confraria do Rosário e para os homens a Irmandade do Santíssimo Sacramento.

Tendo assim elevado a certa altura a vida religiosa na paróquia, Vianney passou a combater os abusos. O zelo de pastor dirigiu-se principalmente contra os cabarés, as danças e a profanação do domingo. Sem recorrer a meios rigorosos e ameaças, fazendo, pelo contrário, prevalecer a caridade, Vianney conseguiu que um cabaré após outro, se fechasse.

Quanto à dança, os espíritos se dividiram em duas correntes: uma a favor da campanha do vigário e outra contra. Veio a festa de São Sixto, padroeiro do lugar. O baile fazia parte integrante do programa dos festejos profanos. Fizeram-se os convites do costume. Mas a decepção dos moços foi grande, quando à hora do baile, nenhuma moça lá apareceu. E o baile não se realizou.

Restava ainda restabelecer o domingo, em toda a sua dignidade. Tão freqüentes, tão insistentes e persuasivas eram as exortações do vigário, a respeito do trabalho no domingo, que determinaram mudança completa no pensamento do povo, que em seguida, passou a observar, com todo o rigor, o descanso dominical.

Ars estava renovada. Os vícios já não existiam. Abusos foram extirpados.

Todos queriam ser bons cristãos. Respeito humano era coisa desconhecida em Ars. Incorreria na censura pública quem não quisesse praticar a religião. Não se ouvia mais nenhuma blasfêmia; não existia inimizade alguma em Ars.

Ao toque do Ângelus os homens se descobriam e interrompiam o trabalho, para rezar as Ave-Marias. O confessionário se via assediado, até altas horas da noite. Aos domingos a igreja estava sempre repleta, por ocasião das missas, das vésperas, do catecismo e do terço. Foi preciso o vigário alargar a matriz e construir novas capelas, como as de São João Batista, de Santa Filomena, de Ecce Homo e a dos Santos Anjos.

Conhecendo a grande miséria das almas e os perigos em que se achavam as pobres órfãs, Vianney fundou na paróquia um asilo, a que deu o nome de “Providência”. Para as asiladas era um pai que sacrifícios não media, para que nada lhes faltasse. Essa fundação, em si tão útil e boa, foi para Vianney uma fonte de desgostos. Mais de uma vez lhe sobreveio o desânimo e profundamente desgostoso, exclamava: “Ah! se tivesse sabido o que quer se dizer ser sacerdote, eu teria procurado a minha salvação na Cartuxa ou na Trappa”.Por duas vezes tentou fugir de Ars para ver-se livre do pesado fardo do ministério pastoral.

O segredo dos grandes resultados espirituais, na paróquia de Ars, estava unicamente na santidade do Cura. Vianney era homem da oração e da penitência. A um colega que o visitou e dolorosamente se queixou do triste estado em que se achava, perguntou: “Rezastes entre lágrimas? Não é bastante. Jejuastes já? Deitastes-vos sobre o chão duro e tomastes a disciplina? Se ainda não o fizestes, não penseis ter feito tudo”. O que a outros aconselhava ele o praticava. Levava vida de extrema pobreza. Dos pobres da paróquia era Vianney o mais pobre. Possuía uma só batina e esta cheia de remendos. O estado do chapéu era tal, que provocava o riso dos colegas. Vianney não possuía nada e nada guardava. 

E quanto bem não fez às órfãs, e aos pobres! A vida austeridade, em nada difere da vida Cura d’Ars, com a dos grandes eremitas do deserto do Egito. Quando muito, tomava três refeições cheias por semana, e que refeições! O “cardápio” não constava senão dumas ervas cruas, pão seco e água. O sono era um repouso de duas horas apenas. Quando se tratava da conversão dum pecador, mais apertava o jejum, e a cama trocada pelo chão.

A saúde de Vianney era fraquíssima. O Santo sofria cruciantes dores nos intestinos, dores de cabeça violentas. Vinte vezes esteve doente e vinte vezes se curou subitamente, fato que grande admiração causou aos médicos. Houve quem lhe dissesse que suas penitências excediam os limites do lícito e Vianney respondeu-lhe: “O Senhor não sabe que meus pecados exigem um tratamento como este”. Além destas práticas comuns de penitência, Vianney usava ainda outras como: a flagelação, o cilício, etc.

Se com aquela santa vida agradava a Deus, tanto mais provocava as iras do inimigo, que o perseguia com toda a sorte de malefícios, chegando a ponto de fisicamente o maltratar. As influências diabólicas devem ser atribuídas também às calúnias, de que Vianney foi vítima. Tudo isso, porém, não conseguia roubar-lhe o contentamento íntimo e a alegria da alma.

Nos últimos anos o organismo lhe denunciava um estado de fraqueza extraordinário. Quando rezava o terço na igreja, sua voz era quase imperceptível. No mês de maio de 1843 lhe sobreveio uma forte pneumonia, que lhe pôs em grande perigo a vida. Vianney pediu que lhe administrassem os santos Sacramentos do Viático e da extrema Unção. 

Aprovado pela expectativa da morte, o Santo invocou uma grande Padroeira Santa Filomena pedindo que o curasse, ainda que fosse necessário um milagre. Santa Filomena, curou-o e consolou-o com sua aparição.

Vianney possuía um grande amor ao Santíssimo Sacramento. Este amor, este fogo se manifestava nas visitas que fazia a Jesus na Eucaristia, nas alocuções e principalmente na Santa Missa. Quem o via celebrar, tinha a impressão do celebrante ver o próprio Nosso Senhor.

Deste amor lhe brotava o culto aos grandes amigos de Deus: a São João Batista, a São José, a Santa Filomena, sua padroeira por excelência e à Santíssima Virgem. Daí também o zelo infatigável pela conversão dos pecadores.

Vianney não era só pastor das almas de Ars. Deus quis que o pobre Cura fosse o Apóstolo universal do século. A santidade do pobre Vianney atraía as almas, que nas suas necessidades o procuravam, para a ele se confessar e dele receber conselhos e conforto. Esta afluência durou trinta anos e só por uma intervenção sobrenatural pode ser explicada.

As peregrinações a Ars começaram em 1826. De 1835 em diante, o número anual de peregrinos que procuravam o Cura d’Ars, excedia a 80.000. Eram leigos e sacerdotes, bispos e cardeais, sábios e ignorantes, que vinham ajoelhar-se-lhes aos pés. Em 1843 recebeu um coadjutor e os missionários diocesanos vinham de vez em quando lhe prestar serviços também. Inúmeros eram os milagres que se operaram na humilde casa do Cura d’Ars. Tão numerosas eram as curas, devidas à intervenção de Vianney, que alguém um dia lhe disse: “Senhor Cura, basta que digais apenas: quero que estejas curado e a cura está feita”. Vianney ouvia os doentes em confissão e dirigia-os à capela de Santa Filomena. Era lá que os milagres se efetuavam. Só Deus sabe quantas conversões se realizaram em Ars, quantas almas lá encontraram a paz desejada.

Vianney morreu a 4 de agosto de 1859, mas a sua memória ainda está viva e glorioso se lhe tornou o túmulo. Declarado “venerável” por Pio IX, em 1925 lhe foi conferida a honra dos altares, pela solene canonização proferida pelo Papa Pio XI.


Reflexões:

E o imortal merecimento do Pe. Balley, ter descoberto e cultivado a vocação sacerdotal de seu pequeno paroquial João Batista Vianney. Não fossem o zelo e o interesse verdadeiramente paternais desse sacerdote, a Igreja não teria talvez o grande Santo d’Ars, padroeiro dos párocos. A bibliografia conta-nos as dificuldades insuperáveis quase com que o estudante Vianney tinha que lutar, para chegar ao sacerdócio. A boa vontade, o trabalho esforçado, a oração, tiveram como recompensa o apoio da divina graça, que fez do pobre menino de Dardilly um grande Santo, glória da sua terra e da Igreja de Deus.

Conta-se Ainda que ao aproximar-se a sua ordenação, o vigário geral reunido com alguns padres, ponderaram a inconveniência em lhe conceder o sacramento da Ordem, porque João Batista “era muito burro”, conforme comentaram entre si num momento de reunião, não com maldade, mas com a sinceridade de quem estava convencido da incapacidade intelectual de quem iria assumir tão elevado cargo. 

Nesse momento, João Batista estava chegando e ouviu ainda na ante-sala o constrangedor comentário.

Ali ele aguardou a saída dos padres, e foi ter com o vigário. Antes de iniciar a conversação, o santo lhe pediu licença e disse:“Padre, se com uma atiradeira feita da mandíbula de um burro, Davi conseguiu derrubar Golias, imagine o que o senhor poderá fazer tendo nas mãos um burro inteiro!” Estas palavras foram suficientes para revogar a intenção do vigário que, logo em seguida, o enviaria à comunidade de Ars. 

De fato, mais que Davi diante de Golias, nosso santo assumiu a paróquia com número ínfimo de católicos, sendo o restante do povo, pagão e completamente entregue aos divertimentos profanos e toda espécie de imundícies e vícios. Na fraqueza do santo, Deus manifestou a força, na limitação intelectual, sabedoria. A pregação, o apostolado, os milagres resultaram em sucessivas conversões.

As árvores secas esverdearam e belos frutos de santidade multiplicaram extraordinariamente no campo do Senhor. Pouco antes de morrer, o Cura D’Ars pôde contemplar o resultado: Praticamente toda a cidade convertida. 

Boas vocações vem do céu; é Deus que as dá. “Grande é a messe, diz Nosso Senhor, e poucos são os operários; pedi, pois ao Senhor da messe, para que mande operários para a sua messe”.Grande é a messe do Senhor e poucos são os Padres. São as famílias que devem fornecer as vocações; é das famílias que Deus, o Senhor da messe quer escolher seus operários. 

Trabalhemos, pois, cada um no lugar que Deus lhe determinou na sociedade, pela santificação da família, pela compreensão da sublimidade do sacerdócio; rezemos, para que o reino de Cristo se firme cada vez mais nas famílias; o reino de Cristo com seu espírito de sacrifício e de oração; rezemos pela santificação dos pais, das mães; pais santos, mães santas, que não deixam a Igreja sem sacerdotes. Da árvore do matrimônio virá o fruto santo do sacerdócio.


De São João Batista Vianney são as seguintes considerações, apropriadas aos nossos tempos:

1. “Devemos trabalhar para tornar-nos merecedores de receber a Santíssima Eucaristia todos os dias. Se não nos é possível comungar diariamente substituamos a Comunhão real pela espiritual, que pode ser feita a cada instante; e nós devemos ter o desejo ardente de receber Deus Nosso Senhor. A Comunhão é para a alma o que o sopro é para o fogo, que está para apagar-se. – Ide à Comunhão, ide a Jesus! Ide viver dele para viver com Ele. Não digais que tendes muito que fazer. Não disse Nosso Senhor: Vinde a mim: vós que trabalhais e vos achais sobrecarregados? Não digais que não sois dignos. Tendes razão, mas é verdade também que d’Ele precisais. Se Nosso Senhor tivesse tido em vista a vossa dignidade, jamais teria instituído o belo sacramento do amor. Não digais que sois tão miseráveis. Gostaria mais de vos ouvir dizer que estais muito doentes e por isso deixais de chamar o médico. – Todos os seres necessitam do alimento para viver. O alimento da alma é Deus. A alma só de Deus pode viver e nada mais a satisfaz, senão Deus”.

2. Sobre as danças dizia Vianney: “Vede meus irmãos, as pessoas que vão ao baile, deixam o Anjo da Guarda na porta e é um demônio que lhe toma o lugar, de modo que há no salão tantos demônios, quantos são os dançarinos”.- Se no tempo de Vianney assim já era, o que diria ele, se visse determinadas danças de hoje, que são a vergonha do nosso século? Especialmente em bailes onde a impureza jorra, a pancadaria impera, a violência produz desgraça? Isto bem conhecemos pela imprensa que, diariamente noticia consumo de drogas, brigas intensas, assassinatos fúteis em boates movidas por músicas frenéticas, embalos alucinantes e letras escandalosamente malignas.

3. A respeito da santidade do domingo, ouviu-se Vianney muitas vezes dizer: “Vós trabalhais, mas o ganho arruína o vosso corpo e a vossa alma. Se perguntasse àqueles que no domingo trabalham: Que estais a fazer? Eles poderiam responder: Estou vendendo a minha alma ao demônio; Estou crucificando Nosso Senhor; estou renegando o meu batismo!... Oh! Como se engana aquele que aproveita do domingo, pensando que ganha mais dinheiro! Vós tendes a convicção de que tudo depende do vosso trabalho; é engano. Ora vem uma doença, um acidente... é preciso tão pouca coisa... uma tempestade, uma chuva... Deus tem tudo na mão; ele pode vingar-se quando e como quer... Conheço dois meios para empobrecer: “Trabalhar no domingo e roubar bens alheios”.


Fonte :
http://redemptionis-sacramentum.blogspot.com.br/2010/10/serie-corpos-de-santos-e-beatos_15.html

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Santa Maria de Cléofas



09 de Abril - Santa Maria de Cléofas



Maria de Cléofas, também chamada "de Cléopas", ou ainda "Clopas". É destas três formas que consta dos evangelhos o nome de seu marido, Cléofas Alfeu, irmão do carpinteiro José. Maria de Cléofas era, portanto, cunhada da Virgem Maria e mãe de três apóstolos: Judas Tadeu, Tiago Menor e Simão, também chamados de "irmãos do Senhor", expressão semítica que indica também os primos, segundo o historiador palestino Hegésipo.

Por sua santidade, ela uniu-se à Mãe de Deus também na dor do Calvário, merecendo ser uma das testemunhas da ressurreição de Jesus (Mc 16,1): "E passado o sábado, Maria Madalena, e Maria, mãe de Tiago, e Salomé, compraram aromas para irem ungi-lo". O mensageiro divino anunciou às piedosas mulheres: "Por que procuram o vivo entre os mortos?"

Esse é um fato incontestável: nas Sagradas Escrituras vemos Maria de Cléofas acompanhando Jesus em toda a sua sofrida e milagrosa caminhada de pregação. Estava com Nossa Senhora aos pés da cruz e junto ao grupo das "piedosas mulheres" que acompanharam seus últimos suspiros. Estava, também, com as poucas mulheres que visitaram o túmulo de Cristo para aplicar-lhe perfumes e unguentos, constatando o desaparecimento do corpo e presenciando, ainda, o anjo anunciar a ressurreição do Senhor.

Assim, Maria de Cléofas tornou-se uma das porta-vozes do cumprimento da profecia. Tem, portanto, o carinho e um lugar singular e especial no coração dos católicos, neste dia que a Igreja lhe reserva para a veneração litúrgica.



Portal Paulinas

quarta-feira, 2 de abril de 2014

São José de Anchieta






Bem-Aventurado José de Anchieta


Nascido nas Ilhas Canárias, pertencente a uma grande família de 12 irmãos, o santo de hoje viveu no século XVI. Por motivos de estudo, foi enviado para Coimbra – Portugal, local onde teve o primeiro contato com a Companhia de Jesus e com o testemunho de São Francisco Xavier. 

Muitas coisas o levaram a discernir seu chamado à vida religiosa, e aos 17 anos diante de uma imagem de Nossa Senhora, ele fazia o seu compromisso de abandonar tudo e servir a Deus. 

Anchieta entrou na Companhia de Jesus em 1551, fez um noviciado exigente, e mesmo com a saúde frágil fez os seus votos de castidade, pobreza e obediência, em 1553. Neste mesmo ano foi enviado para o Brasil, e chegando na Terra de Santa Cruz ele pôde evangelizar. Ainda não era sacerdote. Estudava Filosofia, Teologia, e sempre evangelizando, dando aulas, indo ao encontro dos indígenas. Respeitava a cultura do povo, conheceu a língua Tupi-Guarani para melhor evangelizar. 

Homem fiel à santa doutrina, à sua congregação e acima de tudo, fiel ao Espírito Santo. Esteve em diversos lugares do Brasil, como São Paulo, Rio de janeiro, Espírito Santo, Bahia etc. 

Consumia-se na missão. José de Anchieta é um modelo para todos os tempos, para uma nova evangelização no poder do Espírito Santo e com profundo respeito a quem nos acolhe, a quem é chamado também a ser inteiro de Jesus. Bem-aventurado José de Anchieta, rogai por nós!

Santo do Dia - Canção Nova





 NASCIMENTO
VINDA AO BRASIL


FAMÍLIA E IDEAL CRISTÃO

José de Anchieta nasceu no dia 19 de março de 1534, em San Cristobal de La Laguna, ilha de Tenerife do Arquipélago das Canárias, que pertence à Espanha. Seu pai João Lopez de Anchieta, era natural da Província de Guipuscoa no Vale Urrestilha, na Espanha, homem forte, revolucionário, tomou parte na Rebelião dos Comuneiros contra o Imperador Carlos V, em seu país. Foi condenado à morte, mas salvou-se por interferência de um parente militar ilustre, o Capitão Inigo de Loyola (Inácio de Loiola, mais tarde fundador da Companhia de Jesus). Por precaução, mudou-se para as Canárias. Sua mãe era a senhora Mência Dias de Clavijo y Llarena, natural das próprias Canárias, era neta de judeus convertidos ao cristianismo. De uma família de 12 irmãos, foram consagrados mais dois sacerdotes além do Padre Anchieta: O Padre Pedro Nuñez e Padre Melchior.

Os seus estudos iniciais e o aprendizado de latim foram realizados nas Canárias, oportunidade em que revelou empenho e disposição para aprender. Quando completou 14 anos de idade, em companhia de seu irmão mais velho Pedro Nuñez, pela vontade de seus pais, foi para Portugal a fim de continuar os estudos no Real Colégio das Artes em Coimbra, onde estudou humanidades e filosofia. E novamente, se destacou, mostrando excelente aplicação nos estudos, falando fluentemente o português sem o sotaque espanhol e com facilidade, fazia versos em latim, o que lhe valeu o apelido de “Canário de Coimbra”.

Além de estudante competente, adquiriu o bom hábito de rezar todos os dias, devotando um grande amor a JESUS e a MARIA SANTÍSSIMA, que o estimulou a cultivar com seriedade e afeição o caminho da religião.

Em 1551, aos 17 anos de idade, com a autorização e bênção dos pais, entrou no Seminário da Companhia de Jesus, em Coimbra. Mas, com pouco tempo de Seminário, adoeceu com tuberculose óssea, de difícil tratamento naquela época e que ocasionava uma terrível dor nas costas. Com 18 anos de idade a sua coluna vertebral estava tão curvada que fazia um “S”. Mas com esforço, continuava cumprindo todos os seus afazeres, e até brincava com sua própria infelicidade: “A natureza me preparou para carregar fardos”.

Como vinham para o Brasil muitos missionários com o objetivo de trabalhar na evangelização dos índios, os médicos também concordaram que o clima ameno brasileiro poderia suavizar os efeitos da doença, e por essa razão, recomendaram aos Superiores dos Jesuítas, a sua vinda para cá, pois aqui até poderia ficar curado.


A VIAGEM

Assim, em 1553, depois de ter pronunciado os primeiros votos religiosos no dia 8 de Maio, o Irmão José, como passou a ser chamado, veio para o nosso país na terceira expedição jesuíta, chefiada pelo Padre Luiz de Grã.

Era o dia 13 de julho de 1553, quando Anchieta chegou ao Brasil, ao "paraíso terrestre", como descreviam os historiadores contemporâneos do padre. A Terra de Santa Cruz podia ser considerada um sanatório onde aportavam doentes com tuberculose, varíola e outras doenças contagiosas. Anchieta com 19 anos de idade era o mais jovem dos jesuítas na esquadra do Governador Duarte da Costa, segundo Governador Geral do Brasil. A saúde do noviço jesuíta melhorou sensivelmente durante a viagem, e quando desceu em Salvador, na Bahia, dois meses depois de uma viagem pelo mar, estava praticamente curado.

E se mostrava entusiasmado com a imensa missão que o aguardava. Mas permaneceu pouco tempo na capital baiana, porque logo veio à ordem do Superior dos Jesuítas no Brasil, Padre Manuel da Nóbrega, distribuindo os jesuítas pelas diversas escolas e designando o Irmão José de Anchieta e outros, a seguir com o Padre Leonardo Nunes para São Vicente, (hoje no Estado de São Paulo).


CONSTRUINDO PARA CATEQUIZAR

Foi nesta Vila onde começou de fato a sua missão entre nós. Sob a chefia do Padre Manuel de Paiva, os Jesuítas subiram a serra do Mar e chegaram ao planalto a fim de fundar e dirigir o Colégio Piratininga. Em carta que escreveu em 1554, ao Superior da Ordem Jesuíta Ignácio de Loyola, ele disse:

"Aqui fizemos uma casinha pequena de palha, e a porta estreita de cana. As camas são redes que os índios costuraram; os cobertores para aquecer, o fogo, para o qual, acabada a lição à tarde, vamos buscar lenha no mato e a trazemos às costas, para passarmos a noite. A roupa é pouca e pobre, sem meias ou sapato, no pé as vezes usamos pano de algodão... A comida vem dos índios, que nos dão alguma esmola de farinha e algumas vezes, mas raramente, alguns peixinhos do rio e mais raramente ainda, alguma caça do mato."
Com esforço e dedicação e ajudado pelo português João Ramalho e pelo cacique Tibiriçá, construíram uma cabana de “pau a pique” (em que as paredes são feitas com bambus entrelaçados, e os vãos, e de ambos os lados, cheios com barro) com aproximadamente 90 metros quadrados de área. A choupana foi inaugurada no dia 25 de Janeiro de 1554, data em que se comemora a conversão do Apóstolo Paulo. Por essa razão foi denominado Colégio de São Paulo de Piratininga, onde é hoje o “pátio do Colégio”, e dessa forma, nasceu à cidade de São Paulo. Para marcar a solenidade, o Padre Manuel de Paiva celebrou no local uma Santa Missa, auxiliado pelos outros Jesuítas recém chegados, inclusive o Irmão José de Anchieta.

Naqueles anos do início foi muito difícil, e o barracão servia de dormitório, enfermaria, de colégio, refeitório, cozinha e até de Capela, onde eram celebradas as Missas.

Ao redor do colégio dos padres, logo foi sendo edificada a povoação, surgindo outros barracões, onde foram instaladas oficinas de carpintaria, sapataria, etc., e tudo de pau-a-pique e sapé.

Durante dez anos Anchieta ensinou aos índios, aos filhos dos colonos e aos Noviços da Companhia de Jesus. Como não havia livros ele preparava e copiava as lições, de modo a atender eficientemente a todos os seus alunos. Assim, com boa vontade, superava a natural carência dos recursos necessários ao exercício do magistério. Aprendeu a língua “tupi” e como mestre de gramática começou a estudar a língua falada pelos índios, porque percebeu que os idiomas das diversas tribos indígenas tinham a mesma base linguística. Desse modo, com impressionante empenho, unificou todos aqueles idiomas num único dialeto, o “tupi”, elaborando um “Livro de Gramática da Língua mais falada na Costa do Brasil” (o tupi) com seus princípios e regras. Esta providência ajudou de maneira considerável a comunicação entre os missionários e os nativos, e primordialmente, na catequese.

Também compôs um “Catecismo” simples e objetivo, sob a forma de diálogo, para ensinar e educar os índios nos principais Mistérios da Fé Cristã, sem violentar as tradicionais crenças indígenas, mas amoldando o seu conteúdo a Verdade Cristã.

Estas duas obras, na época foram impressas em Portugal, e representaram um auxílio inestimável a todas as Missões Jesuíticas no Brasil.

Irmão José era incansável, onde se encontrasse, sempre estava disponível para atender uma solicitação ou agilizar alguma providência. Ele se desempenhou de maneira eficiente e brilhante, na função de professor, músico, enfermeiro, sapateiro, taumaturgo, construtor, conselheiro espiritual, e em muitas outras atividades.


PERSEGUIÇÃO E CAPTURA DE ÍNDIOS


Na época, o pensamento europeu, de um modo geral, era totalmente contra a evangelização e educação dos índios, que por muitos eram até considerados sem alma. Vinham embarcações que aportavam as costas brasileiras e transportavam os índios para o trabalho escravo ao longo do continente. Então, os missionários jesuítas, tiveram que alimentar uma tenaz luta pela liberdade e dignidade dos povos indígenas, não só por exigência da própria consciência cristã, mas também porque a posição oficial da Igreja era a favor da igualdade de todos e contra a escravização do homem. Esta realidade tornou-se pública através do documento de Sua Santidade, o Papa Paulo III, a bula “Sublimis Deus”, editada em 1537, que considera todas as raças iguais, inclusive os índios, em face da Redenção do SENHOR.

Numa ocasião, Irmão José fazia uma pregação na cidade de Santos, quando subitamente interrompeu as suas palavras, porque pelo dom da profecia teve a visão de uma expedição que capturava índios no interior de Santa Catarina. Ele revoltado, falou:

“Eu sou o cão da casa do SENHOR (sempre vigilante), não hei deixar de ladrar. Digo-vos, da parte de DEUS, que não deixem sair deste porto uns dois navios, que estão (para transportar índios) para fazer viagem aos Patos, índios que estão de paz conosco e são nossos amigos, (e estão) a cativá-los com suas costumadas e injustas traças (armadilhas) . De outra sorte hão de ver, o que forem (aqueles predadores), a ira de DEUS sobre si, e hão de morrer miseravelmente”.

Mesmo sendo sabedores da advertência do Santo, os terríveis caçadores zarparam com seus navios. Mas havia certo ambiente de intranquilidade dentro das duas embarcações e este fato logo veio ao conhecimento de todos, quando alguns dias depois da partida, um dos homens importantes da expedição, acordou aos gritos. Ele teve um pesadelo, em que se sentia arrastado para o inferno. O demônio com estridentes gargalhadas se apoderava dele. Arrependido de tomar parte naquela expedição convenceu os seus companheiros a voltar e deixá-lo no porto.

Ele ficou e, as duas caravelas seguiram viagem, mas não alcançaram o seu destino. Uma terrível tempestade varreu furiosamente as embarcações, e com exceção de dois tripulantes, todos morreram no naufrágio.


UMA CATEQUESE DIFERENTE


Irmão José de Anchieta, Padre Manuel da Nóbrega e outros missionários jesuítas praticavam a catequese de uma maneira bem agradável e cativante, com canto, poesia e teatro. Na verdade, a iniciativa começou com Anchieta compondo diversos autos, que eram encenados com grande entusiasmo e alegria pelos índios e colonos. E as apresentações eram tão bem feitas e agradavam tanto, que se repetiam em diversos povoados, como São Vicente, Rio de Janeiro, Niterói, Pernambuco e Bahia, com jubilosa participação.

E é interessante realçar que o público era muito variado, com diversas origens, e por isso mesmo, os autos eram escritos nos três idiomas: tupi, português e espanhol, a fim de que todos ouvissem e entendessem as apresentações. Irmão José, inspirado pelo ESPÍRITO SANTO, procurava cativar os índios com a intenção de favorecer o entendimento da mensagem cristã. E para alcançar este objetivo, ele incluía nos autos alguns elementos da cultura indígena, mesclando personagens nativas com personalidades da tradição católica.


PREGADOR QUE SABIA CATIVAR

Ele sempre foi obediente as ordens de seus superiores, as quais cumpria integralmente com perfeição. A única coisa da qual procurava fugir era quando, em algumas ocasiões o Superior Padre Manuel da Nóbrega o mandava subir ao púlpito para fazer uma pregação. Isto porque, não sendo sacerdote, não se julgava com autoridade para realizar uma tarefa tão sublime.

Todavia, aconteceu que numa Semana Santa, Padre Nóbrega adoeceu, e Irmão José de Anchieta teve que substituí-lo. Assumindo a responsabilidade com dignidade, ajoelhou-se diante do altar da VIRGEM e pediu inspiração. Subiu ao púlpito e com muita serenidade e vigor, fez um magnífico sermão, deixando os fiéis emocionados e com lágrimas nos olhos. No dia seguinte, Padre Nóbrega com um sorriso paterno e muito carinho, lhe falou: “Haveis de dar conta a DEUS porque não quisestes pregar até agora”. (reconhecia nele o notável dom da oratória)

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