Jesus está morto. Seu corpo é retirado da cruz e colocado na sepultura, onde fica por três dias. Jesus morre na sexta-feira e ressuscita no domingo.
Então, perguntei às crianças: E no sábado, o que aconteceu? Por que ninguém foi até o túmulo de Jesus?
Jesus havia sido sepultado na tarde de uma sexta-feira. Tudo foi feito na maior pressa, pois no sábado não se podia fazer nada. A lei proibia fazer qualquer coisa. Então, nem deu tempo de embalsamar o corpo como era o costume daquela época.
Sábado foi um dia vazio, de silêncio... Imaginem como os discípulos estavam se sentindo! Jesus era a esperança e agora ele não estava mais com eles! Sentiam-se confusos e desiludidos. Tudo aquilo pelo que havia esperado se fora. Quando Jesus reapareceu ao terceiro dia, toda a esperança voltou rapidamente!
E hoje, nós cristãos, como vivemos o Sábado Santo?
O sábado é o segundo dia do tríduo.
"Durante o Sábado Santo a igreja permanece junto ao sepulcro do Senhor, meditando sua paixão e sua morte, sua descida à mansão dos mortos e esperando na oração e no jejum sua ressurreição." (Circ 73)
No dia do silêncio: a comunidade cristã vela junto ao sepulcro. Calam os sinos e os instrumentos. É ensaiado o aleluia, mas em voz baixa . É um dia para aprofundar. Para contemplar. O altar está despojado. O sacrário aberto e vazio.
A cruz continua entronizada desde o dia anterior. Central, iluminada, com um pano vermelho com o louro da vitória. Deus morreu. Quis vencer com a sua própria dor o mal da humanidade. É o dia da ausência.
O sábado é o dia que experimentamos o vazio. Se a fé, ungida da esperança, não visse o horizonte último desta realidade, cairíamos no desalento: "nós o experimentávamos...", diziam os discípulos de Emaús.
É um dia de meditação e silêncio.
Mas não é um dia vazio em que "não acontece nada". Nem uma duplicação da Sexta-Feira.
A grande lição é esta: Cristo está no sepulcro, desceu à mansão dos mortos, ao mais profundo em que pode ir uma pessoa. E junto a Ele, como sua Mãe Maria, está a Igreja, a Esposa. Cala, como Ele. O sábado está no próprio coração do Tríduo Pascal. Entre a morte da Sexta-Feira e a ressurreição do Domingo nos detemos no sepulcro. Um dia ponte, mas com personalidade. São três aspectos - não tanto momentos cronológicos - de um mesmo e único mistério, o mesmo da Páscoa de Jesus: morto, sepultado, ressuscitado.
Na igreja, na noite do Sábado, o que acontece?
Participamos da Vigília Pascal. A celebração é no sábado à noite, é uma vigília em honra ao Senhor, seguindo uma antiquíssima tradição (Ex 12,42), de maneira que os fiéis, seguindo a exortação do Evangelho (Lc 12,35ss), tenham acesso às lâmpadas como os que aguardam a seu Senhor quando chega, para que, ao chegar, os encontre em vigília e os faça sentar em sua mesa.

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