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segunda-feira, 13 de outubro de 2014

O Significado das Doze Estrelas da Coroa de Nossa Senhora



No dia 27 de novembro, comemoramos a Festa da nossa Padroeira, Nossa Senhora das Graças. É uma linda festa! Nesse dia, como de costume, encerramos a Novena com a procissão e a celebração da Santa Missa, com momento de ação de graças em que coroamos a imagem de Nossa Senhora.

Já iniciamos os ensaios com as crianças e confesso que fico um pouco tensa nesse período, chego a sentir um pouco de medo de não dar conta do compromisso assumido. Mas estou aprendendo que com Maria à frente não temos com que nos preocupar, com a sua intercessão e "fazendo tudo o Ele nos disser", nada dá errado, pelo contrário, sai tudo melhor do que planejamos.

Para cada Coroação me vem uma inspiração, que com certeza é obra do Espírito Santo. É impressionante, surge uma ideia que sugere um tema e depois tudo vai se encaminhando naquela direção, colaborando para que fique tudo muito lindo. No ano passado, sem que o padre soubesse com precisão o que estávamos preparando, até as cores da decoração do altar combinaram com as roupas das meninas da coreografia, com as flores das tiaras e das cestinhas que os anjos levavam com as pétalas. O tema falava de Maria aos pés da cruz; e até uma enorme cruz foi colocada à frente do altar, onde as adolescentes fizeram a coreografia com a música Maria, Mãe da Vida.

Nesse ano, acho que Maria vai ganhar uma coroa nova, e por isso fiquei pensando no significado das doze estrelas da Coroa de Nossa Senhora. Encontrei um texto muito interessante do Professor Felipe Aquino que nos explica o que elas significam. 

"Nós temos uma mãe na terra e uma Mãe na eternidade. No Tratado da Verdadeira Devoção a Virgem Maria de São Luís Grignion de Montfort, no final, ele diz que nós precisamos nos consagrar a Santíssima Virgem de maneira absoluta, de modo que tudo seja feito por Maria, em Maria e com Maria para tudo ser feito para Jesus, em Jesus e com Jesus. O fim não é Maria; o fim é Jesus. Ela não é um obstáculo, ao contrário, ela nos empurra para Cristo, no centro da oração da Ave-maria está Jesus. 

O Papa diz que a Ave-Maria gira em torno da palavra de Jesus, todo o rosário não é mariano, é Cristocêntrico. São Luís Grignion de Montfort propõe que rezemos todos os dias a consagração à Virgem Maria. 

Maria é a imagem da Igreja: pura, santa e imaculada. São Luís explica que colocaram doze estrelas na cabeça da Santíssima Virgem porque este representa um número completo, pois não falta nada nela por ser cheia de graça. Quando você tem um copo cheio de água, não falta mais água ali, ou seja, Maria tem a plenitude da graça que Deus deu a ela.

São Luís propõe que nós rezemos 12 Ave-Marias contemplando os mistérios, fazendo a coroa de glória a Nossa Senhora, que são as doze estrelas. A primeira é o mistério da maternidade divina. Deus desde toda a eternidade a predestinou para ser a Mãe do Salvador, mas Ele não a obrigou, Ele enviou o anjo para perguntar a Ela e o anjo a saudou: “Ave cheia de graça, o Senhor é contigo”. Deus olhando para ela diz: você é cheia de graça; ela foi a única criatura que achou graça diante do Senhor. Ela foi a única que o demônio não tocou, até os muçulmanos acreditam nessa verdade. Ela foi a única digna de conceber o Filho de Deus encarnado.

Quem é que pode anular essa graça de Deus? Se Deus a saúda, quem de nós poderá deixar de fazê-lo? Só quem for desobediente a Deus. Essa é primeira estrelinha, ela foi escolhida para ser Mãe de Deus. A segunda é a Imaculada Conceição, pois foi concebida sem o pecado original, o demônio não pode tocar nela, Maria era cheia de graça, nela não havia nada, a não ser graça. A Santíssima Virgem não poderia ter o pecado original, isso seria uma desonra a Deus. “Imaculada” que dizer “sem mácula”, “sem pecado”. 

A terceira estrela é Maria sempre Virgem: antes, durante e depois do parto, não há explicação da ciência, mas se a luz consegue atravessar o véu sem rasgá-lo, muito mais o Pai do Céu pode realizar o milagre de Maria. “Para Aquele que é extraordinário todos os fatos são excepcionais” (Santo Agostinho). 

A quarta estrela é Maria, Filha predileta do Pai: o Pai escolheu entre todas as mulheres a Maria, ela foi escolhida pela sua humildade, como diz no “Magnificat”; o que lançou a humanidade na morte foi a soberba de Adão e Eva. Santo Irineu dizia: “Eva com seu pecado introduziu a morte no mundo, Maria com sua obediência introduziu a vida”.

A quinta estrelinha é Esposa do Espírito Santo: ela concebeu por obra do Espírito Santo, ela é a Esposa mística do Espírito Santo, Maria tem um relacionamento perfeito com a Santíssima Trindade, do Pai ela é filha, do Filho ela é Mãe e do Espírito ela é esposa. 

O que essa Mulher não consegue tirar de Deus? Só o que ela não quiser, o que não convém. 

A sexta estrela: Maria é a mais humilde a quem Jesus se submeteu, o nome “Maria” vem de “mar”, o mar é esplendoroso, pois aceitou ficar abaixo alguns centímetros de todos os rios, Maria também é assim: por isso, Deus a escolheu olhando para a humildade de Sua serva.


A sétima é que recebeu o poder de esmagar a cabeça do inimigo de Deus; ela aparece em toda a Bíblia, de Gênesis até Apocalipse. Alguns teólogos dizem que Deus fez com que ela permanecesse virgem porque Eva também o era [virgem] quando pecou.

Nunca deixe de usar uma medalhinha de Nossa Senhora, pois ela o protege, nem deixe de ter a imagem de Nossa Senhora em sua casa. Certa vez, eu fui salvo da morte porque tinha um adesivo com a imagem dela no vidro do carro: aconteceu um acidente e tiveram que cortar as portas para eu poder sair do carro; este teve perda total, mas eu saí dele sem um arranhão. E quando eu olhei no para-brisa, vi que o adesivo de Nossa Senhora, olhando para mim, estava intacto. O seguro me deu outro carro novinho, pois foi perda total, mas comigo não aconteceu nada. 

A oitava estrela é a “Medianeira de todas as graças”. Os santos doutores da Igreja dizem que todas as graças passam pelas mãos de Maria, mesmo as que você pede aos santos, é ela quem as distribui. Como meu pai, que comprava um saco de bala e minha mãe as distribuía. Deus Pai é que dá a graça, mas é Nossa Senhora que a distribui. Qual foi a maior graça do mundo? Jesus! E essa graça veio por meio de Maria; se a grande Graça veio por meio dela, então todas as outras também virão! 

“Tudo por Jesus, nada sem Maria!” a Canção Nova é essa gigante porque ela é mariana, nada se faz aqui sem a Santíssima Virgem Maria; em todos os departamentos encontramos uma imagem dela.

A nona estrela é “Maria aos pés da cruz”. Jesus, com lábios cheios de sangue, disse a última coisa: “Filho, eis a tua mãe. Mãe, eis aí o teu filho”, João naquele momento representa todos os filhos da Igreja. Nosso Senhor Jesus Cristo já tinha dado tudo: Seu sofrimento, Seu Sangue e a única coisa que tinha Lhe sobrado ali na cruz era Sua Mãe, que Ele deu a João, representando nós todos. João a levou para sua casa; eu não sei se você a recebeu como sua Mãe. Se não, receba-a hoje, leve-a para sua casa, Maria, Mãe da Igreja, Maria, Mãe de cada um de nós.

A décima estrela é “Maria, assunta ao céu”. Aquele corpo, que gerou o Filho de Deus, não poderia ser destruído. Papa Pio XII proclamou que ela foi assunta de corpo e alma. Os santos não estão no céu com o corpo, somente quando Jesus voltar, na parusia, é que eles se unirão ao seu corpo e irão para o céu. Assim, a glorificação acontecerá somente no último dia, mas a Virgem Santíssima já é glorificada no céu com o corpo e alma.

A décima primeira estrela é: “Maria, coroada no céu como Rainha”. Maria foi coroada como Rainha pela Santíssima Trindade, ela é a Rainha dos santos, dos anjos, do céu, da terra, dos doutores. Isso não é fantasia, é verdade de fé, isso significa que abaixo de Deus, abaixo da Santíssima Trindade, o maior poder é dado a ela por Deus, não pela natureza, mas pelo próprio Deus.

A última estrela é que “Maria é aquela que recebeu de Deus todas as graças, honras e méritos”, que não são apenas 12, são todas as outras. O Todo-Poderoso não precisa de nada nem de ninguém, mas Ele quis precisar de Maria, assim como Ele quer precisar de nós querendo que sejamos evangelizadores; Ele não precisava, mas Ele quis precisar de nós.

Terminando a pregação, eu quero enfatizar as Bodas de Caná: Jesus, os apóstolos e Maria foram a esse casamento; o vinho, que era costume naquela época ser servido nessas ocasiões, faltou. Ninguém iria morrer se essa bebida acabasse, não ia acontecer nenhum outro mal a não ser a tristeza, mas mesmo assim ela intercedeu para o Filho, e embora não fosse a hora d’Ele, Ele a atendeu porque a Mãe pediu. Peça você também para que Jesus possa manifestar a Sua glória na sua vida."


Autor: Prof. Felipe Aquino

Fonte: Site Canção Nova






sábado, 11 de outubro de 2014

Criança, Semelhança de Jesus


Amanhã, 12 de outubro, comemoramos a festa da Padroeira do nosso país, Nossa Senhora Aparecida, e também, de uma maneira especial, o dia das nossas crianças. 

Como amanhã será celebrada a missa em outra Paróquia, onde todas as demais de nossa Diocese participarão, inclusive a nossa, antecipamos a comemoração do Dia das Crianças para hoje.

Foi uma manhã maravilhosa! Tivemos a celebração da Santa Missa, presidida pelo nosso pároco, Padre Vanildo, com os pequeninos da catequese de todas as nossas comunidades, com os catequistas e familiares dos catequizandos. Momentos de oração,  descontração e muita alegria.  No final, distribuição de brindes e, após, lanche na cantina com a criançada: cachorro quente, sucos e refrigerantes. 

É muito bom estar com os pequeninos! Criança é alegria, pureza e esperança. Como disse o poeta, "grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças".  Devemos amar, cuidar e querer bem nossas crianças.  Elas são nossa maior riqueza, nosso maior tesouro, é o maior presente que nós temos em nossas casas.





CRIANÇA, SEMELHANÇA DE JESUS

Autor: Walter Pereira Pimentel


                                                    http://mensagensepoemas.uol.com.br/ 




CRIANÇA, SEMELHANÇA DE JESUS

Já fui sonho, projeto, feto ...
Hoje sou como o raiar de um novo dia
O brotar de uma semente
O desabrochar de uma flor.

Sou como uma doce melodia
Com autor e partitura
Só preciso que me "toquem" com ternura
Para que eu possa ser gente.

Do bem, quero ser sempre contexto
Não nasci para ser avesso
Sou portador de sol
Trago luz
Alegria e esperança
Afinal sou criança
Imagem e semelhança de Jesus!




quinta-feira, 9 de outubro de 2014

A Importância do Olhar


"Conta-se que Raoul Follereau, jornalista francês que dedicou sua vida ao cuidado dos leprosos, ao visitar um leprosário em uma ilha do Pacífico, ficou surpreendido ao encontrar, entre os rostos desfigurados e quase sem vida, um homem que conservava os olhos límpidos, vivíssimos, e com um sorriso que a todos iluminava sempre que lhe diziam uma palavra amável ou lhe davam alguma coisa.
Quando quis saber o que mantinha esse leproso tão agarrado à vida, disseram-lhe que observasse o que lhe sucedia todas as manhãs. E o jornalista descobriu que, todos os dias, o homem descia para o pátio e sentava-se diante do alto muro que cercava o leprosário. Esperava ali, paciente, até que, no meio da manhã, aparecia, durante alguns segundos por cima do muro, um rosto já idoso e cheio de rugas, que lhe sorria com um olhar de amor. Então o homem comungava aquele sorriso e sorria também.
Era o rosto de sua amada esposa que, com fidelidade, todos os dias vinha contemplá-lo. A seguir, a imagem da velhinha desaparecia, mas o doente resplandecia, já tinha alimento para aguentar mais uma jornada e aguardar que, no dia seguinte, regressasse o olhar sorridente que lhe garantia a existência.
O leproso comentava: “Ao vê-la, sei que ainda estou vivo!” 

O olhar amoroso da esposa era, de fato, suficiente para transfigurar aquele homem dando-lhe esperança e vida.

É que um olhar de amor faz esquecer as dores e restaura o ânimo, tem uma poderosa força, pois é sinal visível do amor de Deus."

(Desconheço a autoria).



Reflexão - Amar Alguém
Padre Fábio de Melo

Padre Fábio de Melo


A DIMENSÃO DO OLHAR

A imagem ao lado é do filme “A paixão de Cristo”, do Diretor Mel Gibson. O interessante é que algo de místico envolveu este olhar, convertendo o ator Pietro Sarrubi ao catolicismo. Pietro vivia no filme o personagem Barrabás (Quer ler mais? http://www.comshalom.org/conversao-de-barrabas/), um homem que nunca foi amado, pelo contrário, desde pequeno foi queimado, agredido, destruído… E por isto, se tornou um assassino.

Existem textos que garantem que assim como o ator que o viveu no filme, Barrabás também se converteu. Isso porque o olhar de Jesus, foi a primeira expressão de amor que o bandido recebera em toda a sua vida. Este não entendia e se questionava, porque? – Porque Ele me ama?! A resposta que este obteve é que tudo aquilo só poderia transcender o humano. É um olhar que cura, que constrange, que transforma.
A verdade é que o nosso olhar é um grande instrumento de expressão do que está em nossa alma. Se olhamos as pessoas com amor, observando suas limitações com misericórdia, suas qualidades com admiração e o bem que fazem, com gratidão, podemos com certeza, levar as pessoas à uma reflexão que pode transfigurar, mudar, transformar as suas vidas.
O seu olhar tem sido fonte de transformação ou julgamento? Como você olha os filhos e filhas de Deus? Como carne? Como bandidos? Será que na situação dele você não poderia ser pior? Vejamos, Barrabás um dos piores bandidos da história precisou somente de UM olhar de Jesus para mudar de vida! E quantas vezes este mesmo olhar de Cristo, através dos irmãos, tocou o seu coração e você continua a colocar Deus para observar tudo de longe, de fora da sua vida?
A verdade é que Jesus sempre nos olha com misericórdia, compreendendo nossas misérias e nos ajudando a vencê-las, e mesmo quando nos exorta e repreende, o faz com amor! Somos imitadores de Cristo, pois queremos chegar perto do melhor que podemos ser. E Cristo, sendo Homem e Deus, representa a perfeição, Ele é o caminho! Levemos isso para nossas relações, interpessoais e pessoais… Tenhamos uma alma limpa e formada pela caridade, e que isto, transpareça em nossos olhos!
Por: Lucas Saoni (Paróquia Nossa Sra. Aparecida - Rondonia)
FONTE: https://elaeleedeus.wordpress.com/2014/08/18/a-dimensao-do-olhar/

"E os nossos olhos servem para enxergar o caminho de Jesus ou para ver os defeitos dos outros? Quem enxerga apenas os defeitos dos outros é porque a luz divina ainda não operou na sua vida. Precisamos rezar com o cego mendigo: “Senhor que eu possa enxergar de novo!”"

"Quem tem Deus é feliz. E quem é feliz sabe amar, porque vê Jesus em todos e, por isso vai ao encontro do irmão e sabe perdoar. Senhor, purifica o meu olhar para que eu possa Te enxergar com clareza no meu próximo. Jesus, tira a trave dos meus olhos, remova todas as escamas, para que eu tenha o Teu olhar, para que eu veja a Verdade, para que eu possa ser misericordiosa como Tu és, para que eu olhe antes pra mim mesma com olhar de misericórdia e enxergue toda a minha pequenez. Obrigada, Senhor!"



quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Quem foi São Francisco de Assis?


"Todas as coisas da criação são filhos do Pai e irmãos do homem... Deus quer que ajudemos aos animais, se necessitam de ajuda. Toda criatura em desgraça tem o mesmo direito a ser protegida." (São Francisco de Assis)

São tantas histórias bonitas sobre São Francisco de Assis. Desde criança, sempre gostei de ouvi-las. Pensava em São Francisco como um belo príncipe, que renunciou à vida luxuosa que tinha por amor aos pobres; que era um jovem adorável que falava com os animais e com toda a natureza, chamando-os de irmão ou irmã. 
Acho que a história de Francisco atrai mais as crianças em razão de constar que ele amava muito os animais. "Não te envergonhes se, às vezes, animais estejam mais próximos de ti do que pessoas. Eles também são teus irmãos." Encontrei essa frase como de autoria de São Francisco de Assis.
Na Catequese,  em nossos encontros, quando chega próximo ao dia em que a Igreja comemora a Festa desse Santo, sempre conto para os pequeninos a história de sua vida.

Sabemos que Francisco era um jovem orgulhoso, vaidoso e rico, que se tornou o mais italiano dos santos e o mais santo dos italianos. Ele nasceu entre 1181 e 1182, na cidade de Assis, Itália. Seu pai era um rico e próspero comerciante, que seguidamente viajava para a França, de onde trazia a maior parte de suas mercadorias. Foi de lá também que ele trouxe sua linda e bondosa esposa.

Foi batizado em Santa Maria Maior (antiga catedral de São Rufino) com o nome de João (Giovanni). Mas quando Pietro Bernardone voltou de uma viagem à França, mudou de ideia e resolveu trocar o nome do filho para Francisco, prestando uma homenagem àquela terra.

Sua mãe era de origem provençal: as primeiras palavras ternas e afetuosas que o menino ouviu foram francesas. Esta língua foi gravada no seu coração: assim, afirmou o seu primeiro biógrafo, Tomás de Celano: “quando manifesta a sua alegria, canta na doce língua dos trovadores da cavalheiresca Provença”.

Segundo a maioria dos biógrafos de São Francisco, os padres de São Jorge lhe deram formação adequada e educação cristã. Mas o caráter e as qualidades melhores lhe vieram da mãe: meiga e firme, cristã fervorosa, toda dedicada à família.

Cedo, o garoto Francisco aprendeu do pai a arte do comércio que manejava com inteligência e proveito. Mas era um jovem alegre, amante da música e das festas e, com muito dinheiro para gastar, tornou-se rapidamente um ídolo entre seus companheiros. Adorava banquetes, noitadas de diversão e cantar serenatas para as belas damas de sua cidade. Enfim, Francisco era o líder da juventude de sua cidade.

Fonte http://franciscanos.org.br/

Encontrei na Net o post abaixo, publicado por Cruz Terra Santa,  que conta mais detalhadamente a história de São Francisco de Assis.


São Francisco de Assis nasceu em Assis, Itália, em 1182. Era filho de Pedro Bernardone, um rico comerciante, e Pia, de família nobre da Provença.  Na juventude, Francisco era muito rico e esbanjava dinheiro com ostentações. Porém, os negócios de seu pai não lhe despertaram interesse, muito menos os estudos. O que ele queria mesmo era se divertir. Porém, São Boaventura, seu contemporâneo, escreveu sobre ele: “Mas, com o auxílio divino, jamais se deixou levar pelo ardor das paixões que dominavam os jovens de sua companhia”.

Vida de São Francisco
Na juventude de Francisco, por volta de seus vinte anos, uma guerra começou entre as cidades italianas chamadas Perugia e Assis. Ele queria combater em Espoleto, entre Assis e Roma, mas caiu enfermo. Durante a doença, Francisco ouviu uma voz sobrenatural. Esta lhe pedia para ele "servir ao amor e ao Servo". Pouco a pouco, com muita oração, Francisco sentiu em seu coração a necessidade de vender seus bens e “comprar a pérola preciosa” sobre a qual ele lera no Evangelho.
Certa vez, ao encontrar um leproso, apesar da repulsa natural, venceu sua vontade e beijou o doente. Foi um gesto movido pelo Espírito Santo. A partir desse momento, ele passou a fazer visitas e a servir aos doentes que sem encontravam nos hospitais. Aos pobres, presenteava com suas próprias roupas e também com o dinheiro que tivesse no momento.

O Chamado
Num dia simples, mas muito especial, num momento em que Francisco rezava sozinho na Igreja de São Damião, em Assis, ele sentiu que o crucifixo falava com ele,  repetindo por três vezes a frase que ficou famosa: "Francisco, repara minha casa, pois olhas que está em ruínas". O santo vendeu tudo o que tinha e levou o dinheiro ao padre da Igreja de São Damião, e pediu permissão para viver com ele. Francisco tinha vinte e cinco anos.

Pedro Bernardone, ao saber o que seu filho tinha feito, foi buscá-lo indignado, levou-o para casa, bateu nele e acorrentou-o pelos pés. A mãe, porém, o libertou na ausência do marido, e o jovem retornou a São Damião. Seu pai foi de novo buscá-lo. Mandou que ele voltasse para casa ou que renunciasse à sua herança. Francisco então renunciou a toda a herança e disse: "As roupas que levo pertencem também a meu pai, tenho que devolvê-las". Em seguida se desnudou e entregou suas roupas a seu pai, dizendo-lhe: “Até agora tu tens sido meu pai na terra, mas agora poderei dizer: ‘Pai nosso, que estais nos céus'."

Renúncia de São Francisco de Assis
Para reparar a Igreja de São Damião, Francisco pedia esmola em Assis. Terminado esse trabalho, começou reformar a Igreja de São Pedro. Depois, ele retirou-se para morar numa capela com o nome de Porciúncula. Ela fazia parte da abadia de Monte Subasio, cuidada pelos beneditinos. Ali o céu lhe mostrou o que realmente esperava dele.

O trecho do Evangelho da Missa daquele dia dizia: "Ide a pregar, dizendo: o Reino de Deus tinha chegado. Dai gratuitamente o que haveis recebido gratuitamente. Não possuas ouro, nem duas túnicas, nem sandálias...” A estas palavras, Francisco tirou suas sandálias, seu cinturão e ficou somente com a túnica.

Milagres de São Francisco de Assis
Deus lhe concedeu o dom da profecia e o dos milagres. Quando Francisco pedia esmolas com o fim de restaurar a Igreja de São Damião, ele dizia: "Um dia haverá ali um convento de religiosas, em cujo nome se glorificará o Senhor e a Igreja". A profecia se confirmou cinco depois com Santa Clara e suas religiosas. Ao curar, com um beijo, o câncer que havia desfigurado o rosto de um homem, São Boaventura comentou para São Francisco de Assis: "Não se há que admirar mais o beijo do que o milagre?"

Fundação da Ordem dos Frades Menores (O.F.M.)
Francisco começou a anunciar a verdade, no ardor do Espírito de Cristo. Convidou outros a se associarem a ele na busca da perfeita santidade, insistindo para que levassem uma vida de penitência. Alguns começaram a praticar a penitência e em seguida se associaram a ele, partilhando a mesma vida. O humilde São Francisco de Assis decidiu que eles se chamariam Frades Menores.

Surgiram assim os primeiros 12 discípulos que, segundo registram alguns documentos, “foram homens de tão grande santidade que, desde os Apóstolos até hoje, não viu o mundo homens tão maravilhosos e santos”. O próprio Francisco disse em testamento: “Aqueles que vinham abraçar esta vida, distribuíam aos pobres tudo o que tinham. Contentavam-se só com uma túnica, uma corda e um par de calções, e não queriam mais nada”. Os novos apóstolos reuniram-se em torno da pequena igreja da Porciúncula, ou Santa Maria dos Anjos, que passou a ser o berço da Ordem.

A nova ordem religiosa de São Francisco de Assis
Em 1210, quando o grupo contava com doze membros, São Francisco de Assis redigiu uma regra pequena e informal. Esta regra era, na sua maioria, os conselhos de Jesus para que possamos alcançar a perfeição. Com ela foram à Roma apresentá-la ao Sumo Pontífice. Lá, porém,relutavam em aprovar a nova comunidade. Eles achavam que o ideal de Francisco era muito rígido a respeito da pobreza. Por fim, porém, um cardeal afirmou: "Não podemos proibir que vivam como Cristo mandou no Evangelho".

Receberam a aprovação e voltaram a Assis, vivendo na pobreza, em oração, em santa alegria e grande fraternidade, junto a Igreja da Porciúncula. Mais tarde, Inocêncio III mandou chamar São Francisco de Assis e aprovou a regra verbalmente. Logo em seguida o papa impôs a eles o corte dos cabelos, e lhes enviou em missão de pregarem a penitência.

São Francisco de Assis, um exemplo de vida
São Francisco de Assis manifestava seu amor a Deus por uma alegria imensa, que se expressava muitas vezes em cânticos ardorosos. A quem lhe perguntava qual a razão de tal alegria, respondia que “ela deriva da pureza do coração e da constância na oração”.

A santidade de São Francisco de Assis lhe angariou muitos discípulos e atraiu também uma jovem, filha do Conde de Sasso Rosso, Clara, de 17 anos. Desde o momento em que o ouviu pregar, compreendeu que a vida que ele indicava era a que Deus queria para ela. Francisco tornou-se seu guia e pai espiritual. Nascia assim a Ordem Segunda dos Franciscanos, a das Clarissas. Depois, Inês, irmã de Clara, a seguia no claustro; mais tarde uma terceira, Beatriz se juntou a elas.


Sabedoria divina
Certa vez, São Francisco de Assis, sentindo-se fortemente tentado pela impureza, deitou-se sem roupas sobre a neve. Outra vez, num momento de tentação ainda mais violenta, ele rolou sobre espinhos para não pecar e vencer suas inclinações carnais.

Sua humildade não consistia simplesmente no desprezo sentimental de si mesmo, mas na convicção de que "ante os olhos de Deus o homem vale pelo que é e não mais". Considerando-se indigno do sacerdócio, São Francisco de Assis apenas chegou a receber o diaconato. Detestava de todo coração o exibicionismo. Uma vez contaram-lhe que um dos irmãos amava tanto o silêncio que até quando ia se confessar, fazia-o por sinais. São Francisco respondeu desgostoso:"Isso não procede do Espírito de Deus, mas sim do demônio; é uma tentação e não um ato de virtude". Francisco tinha o dom da sabedoria. Certa vez, um frade lhe pediu permissão para estudar. Francisco respondeu que, se o frade repetisse com amor e devoção a oração "Glória ao Pai", se tornaria sábio aos olhos de Deus. Ele mesmo, Francisco, era um grande exemplo da sabedoria dessa maneira adquirida.

São Francisco de Assis e os animais
A proximidade de Francisco com a natureza sempre foi a faceta mais conhecida deste santo. Seu amor universalista abrangia toda a Criação, e simbolizava um retorno a um estado de inocência, como Adão e Eva no Jardim do Éden.

Os estigmas de São Francisco de Assis
Dois anos antes de sua morte, tendo Francisco ido ao Monte Alverne em companhia de alguns de seus frades mais íntimos, pôs-se em oração fervorosa e foi objeto de uma graça insigne.

Na figura de um serafim de seis asas apareceu-lhe Nosso Senhor crucificado que, depois de entreter-se com ele em doce colóquio, partiu deixando-lhe impressos no corpo os sagrados estigmas da Paixão. Assim, esse discípulo de Cristo, que tanto desejara assemelhar-se a Ele, obteve mais este traço de similitude com o Divino Salvador.

Devoção a São Francisco de Assis
No verão de 1225, Francisco esteve tão enfermo, que o cardeal Ugolino e o irmão Elias o levaram ao médico do Papa, em Rieti. São Francisco de Assis perguntou a verdade e lhe dissessem que lhe restava apenas umas semanas de vida. "Bem vinda, irmã Morte!", exclamou o santo.

Em seguida pediu para ser levado à Porciúncula. Morreu no dia três de outubro de 1226, com menos de 45 anos, depois de escutar a leitura da Paixão do Senhor. Ele queria ser sepultado no cemitério dos criminosos, mas seus irmãos o levaram em solene procissão à Igreja de São Jorge, em Assis.

Ali esteve depositado até dois anos depois da canonização. Em 1230, foi secretamente trasladado à grande basílica construída pelo irmão Elias. Ele foi canonizado apenas dois anos depois da morte, em 1228, pelo Papa Gregório IX. Sua festa é celebrada em 04 de outubro.



O Cântico das Criaturas

Quase moribundo, compôs São Francisco o Cântico das criaturas. Até ao fim da vida queria ver o mundo inteiro num estado de exaltação e louvor a Deus. No outono de 1225, enfraquecido pelos estigmas e enfermidades, ele se retirou para São Damião. Quase cego, sozinho numa cabana de palha, em estado febril e atormentado pelos ratos, deixou para a humanidade este canto de amor ao Pai de toda a criação.

A penúltima estrofe, que exalta o perdão e a paz, foi composta em julho de 1226, no palácio episcopal de Assis, para pôr fim a uma desavença entre o bispo e o prefeito da cidade. Estes poucos versos bastaram para impedir a guerra civil. A última estrofe, que acolhe a morte, foi composta no começo de outubro de 1226.

A oração do santo diante do crucifixo de São Damião e o Cântico do Sol são as únicas obras de São Francisco escritas em italiano antigo e, por isso, são dos mais importantes documentos literários da linguagem popular. Foi nesta língua que ele certamente ditou a maioria de seus escritos, antes que os irmãos versados em letras os traduzissem para a língua comum da época, o latim.

“Na tradição ocidental Francisco de Assis é visto como uma figura exemplar de grande irradiação. Com fina percepção sentia o laço de fraternidade e de sororidade que nos une a todos os seres. Ternamente chama a todos de irmãos e irmãs: o sol, a lua, as formigas e o lobo de Gubbio. As coisas tem coração. Ele sentia seu pulsar e nutria veneração e respeito por todo ser, por menor que fosse. Nas hortas, também as ervas daninhas tinham o seu lugar, pois do seu jeito elas louvam o Criador.

O coração de Francisco significa um estilo de vida, a expressão genial do cuidado, uma prática de confraternização e um renovado encantamento pelo mundo. Recriar esse coração nas pessoas e resgatar a cordialidade nas relações poderá suscitar no mundo atual o mesmo fascínio pela sinfonia do universo e o mesmo cuidado com irmã e mãe Terra como foi paradigamaticamente vivido por São Francisco.”
(Leonardo Boff)
Cântico das Criaturas

Altíssimo, Onipotente, Bom Senhor 
Teus são o Louvor, a Glória, a Honra e toda a Bênção.
Louvado sejas, meu Senhor, com todas as Tuas criaturas, especialmente o senhor irmão Sol, que clareia o dia e que, com a sua luz, nos ilumina. Ele é belo e radiante, com grande esplendor; de Ti, Altíssimo, é a imagem. 
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã Lua e pelas estrelas, que no céu formaste, claras, preciosas e belas. 
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento, pelo ar e pelas nuvens, pelo sereno e por todo o tempo em que dás sustento às Tuas criaturas. 
Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, útil e humilde, preciosa e casta. 
Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo, com o qual iluminas a noite. Ele é belo e alegre, vigoroso e forte. 
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a mãe terra, que nos sustenta e governa, produz frutos diversos, flores e ervas. 
Louvado sejas, meu Senhor, pelos que perdoam pelo Teu amor e suportam as enfermidades e tribulações.
Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa irmã, a morte corporal, da qual homem algum pode escapar. 
Louvai todos e bendizei o meu Senhor! Dai-Lhe graças e servi-O com grande humildade! 



Oração de São Francisco de Assis

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor;
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;
Onde houver discórdia, que eu leve a união;
Onde houver dúvida, que eu leve a fé;
Onde houver erro, que eu leve a verdade;
Onde houver desespero, que eu leve a esperança;
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria;
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
Ó Mestre, Fazei que eu procure mais
Consolar, que ser consolado;
Compreender, que ser compreendido;
Amar, que ser amado.
Pois, é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna.


"Apenas um raio de sol é suficiente para afastar várias sombras."
São Francisco de Assis

"Se algo rouba a paz no meu coração é porque ocupou o lugar de Deus."
São Francisco de Assis

"Evangelize sempre, se necessário use palavras."
São Francisco de Assis