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sábado, 29 de março de 2014

Profetas - Homens de Deus que Defendem a Verdade



Objetivos:

  • Criar o hábito "da escuta" da Palavra de Deus através da leitura da Sagrada Escritura.
  • Incentivar "o estar disponível" para exercer a missão de profeta, sem medo, tendo a certeza de que Deus estará amparando, iluminando e alimentando com o seu Espírito.

Conteúdo:

1) Deus se manifesta de muitos modos:
  • Através dos acontecimentos
  • Através dos profetas


2) O profeta
  • chamado
  • missão
            - Anunciar e denunciar;
            - Perceber os projetos de Deus para si e para o povo;
            - Testemunhar com a vida;
            - Ser obediente;
            - Ter intimidade com Deus.


Ambiente:

  • Preparar a sala colocando uma toalha na mesa, flores, vela e a Bíblia.

Recursos:

  • 02 cartolinas, cola, nomes dos livros proféticos digitados para dois grupos.





1. Acolhida e Oração Inicial

  • Receber a turma com carinho e simpatia. Cantar música animada. Sugerimos a nº 14, cantando ao menos a primeira estrofe e fazendo a brincadeira do trenzinho.
  • Acalmar a turma para rezar. 
  • Motivar: Mais um vez estamos reunidos. Deus quer nos mostrar como ser sábios e inteligentes, vivendo a vida com alegria e em paz. Por isso, pedimos que o Senhor sempre nos ilumine, para que possamos enxergar as coisas belas que a vida tem. Amém! 
  • Encerrar com a música 12, para recordar o encontro anterior.

Símbolo litúrgico: a língua - espada afiada

O ser humano se comunica através da linguagem. Para falar, ele utiliza a língua. Sem a língua a pessoa não pode falar. No universo existe uma infinidade de "línguas", o que causa grande falhas de comunicação. Em Pentecostes, com a vinda do Espírito Santo, a Palavra de Deus é dirigida a todos os seres humanos, para que "toda língua proclame para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é o Senhor" (Fl 2,11). Um símbolo da língua é a espada.

A espada é uma arma usada para a luta. A espada de dois gumes (que corta dos dois lados) era a preferida. Pedro, quando Jesus foi preso no Jardim das Oliveiras, tinha uma espada com ele e cortou a orelha de um servo. Jesus manda que ele guarde esta espada. Mais tarde, Pedro usaria outra espada para a evangelização: a sua língua.

A língua é uma espada que mata quando usada para mentir, para causar o mal (cf. Pr 10,31; 17,4; Sl 52,4; 57,5; 64,4). O dano da língua maldosa é terrível (cf. Eclo 28,13-26).

São Paulo escreve que a "Palavra de Deus é mais penetrante do que a espada afiada de dois gumes, que penetra até dividir alma e espírito, junturas e medulas. Ela julga as disposições e intenções do coração" (Hb 4,12; Is 49,2). O cristão é convocado a um combate espiritual e deve  usar neste combate a espada da Palavra de Deus (cf. Ef 6,17). O autor do Apocalipse, ao descrever a figura do "Filho do Homem", coloca em sua boca uma espada de dois gumes (cf. Ap 1,6; 2,12.16; 19,15.21). São Paulo é representado com duas espadas, uma pelo seu martírio e outra simboliza a força e a coragem com que ele anunciou a Palavra de Deus a todos os povos.

2. Motivação

Antes de refletir sobre o profetismo, vamos relembrar a caminhada do povo de Deus.

O Êxodo foi a experiência fundamental desse povo: a libertação da escravidão. A experiência do deserto deu a certeza de que Deus está presente na história. Um Deus que caminha com aqueles que desejam a sua própria libertação.

Chegada à Terra de Canaã = Terra Prometida:

  • ocupação da nova terra;
  • o povo torna-se uma nação;
  • os diversos clãs formam tribos;
  • até o fim do século IX a.C. , o povo mantém uma organização social, baseada nas tribos, independentes umas das outras, mas unidas na mesma fé em Javé;
  • ao chegar na Terra Prometida, encontraram outros povos, e o relacionamento com esses povos influiu nos costumes, nas tradições e na religião dos israelitas;
  • quando surgiam dificuldades, apareciam Juízes, ajudando o povo a sair da opressão dos inimigos;
  • com a entrada dos filisteus, que criaram lutas, o povo se sente ameaçado e tem necessidade de unir forças para uma melhor organização social e política.

O povo não aceitava a realeza: só aceitava Deus como Rei. Era teocrata. Mas, apesar da resistência do povo e por necessidade de defesa e também seguindo o exemplo de outros povos, Israel se organiza em monarquia.

Três reis reinarão sucessivamente: Saul, Davi, Salomão.
(Falar sobre os primeiros reis).

É chamado o período do Reino Unido que durou de 70 a 100 anos, aproximadamente. Foi um tempo de triunfo e aparentemente, de paz.

Mas no final do reinado de Salomão, a situação se torna insustentável: o povo se vê obrigado a pagar alguns impostos para que Salomão possa manter o luxo do palácio. O povo sofria e relembrava a experiência do deserto.

Com a morte de Salomão o povo do Norte toma consciência, reage e se torna independente. Aí acontece o Cisma, a divisão do Reino:

Reino do Norte: Israel, capital em Samaria, governada por Jeroboão.
Reino Sul: Judá, capital em Jerusalém, governada por Roboão.

O Templo construído por Salomão, ficava em Jerusalém. E Jeroboão, rei na Samaria, teve medo que o povo fosse em Jerusalém para adorar no Templo. Para impedir a ida do povo do Norte até lá, ele levanta dois altares nas cidades de Dan e Betel.

Apesar da divisão do Reino, a situação não melhora. O povo sofreu três calamidades:
  • guerra: saques e destruições;
  • injustiça social: exploração dos fracos;
  • idolatria: os reis arrastavam o povo ao abandono da fé no Deus único.

A divisão do reino e a constante luta entre eles e também com os outros povos, levam os dois reinos à destruição.

Em 722 a.C., o Reino do Norte é invadido pelos assírios, e em 587 a.C., o Reino do Sul é levado, como cativo, para a Babilônia.

Mesmo assim, o povo não perdeu a esperança, porque era um povo depositário da Aliança: os escolhidos do Senhor. Esse povo não tinha sido chamado a ser testemunha de unidade. Diante de toda essa situação, surgem os Profetas.


3. Desenvolvendo o tema

    - Quem é profeta?

     Profeta é um homem chamado por Deus, para:

  • transmitir ao povo a sua mensagem;
  • e falar em nome do Senhor.

É alguém do povo; alguém que participa bem perto dos dramas de seus patrícios, sobretudo dos mais fracos, oprimidos e marginalizados.

Profeta não significa aquele que anuncia os acontecimentos futuros, como adivinho. Ele não é um espécie de "mágico" que prevê o futuro. O profeta lê o presente. Ele possui o sentido da história; consegue captar, nas entrelinhas dos acontecimentos o Projeto que Deus tem para os homens; ele decifra, à luz da Palavra de Deus, os fatos do presente, e está sempre aberto ao futuro, à esperança; indica a vontade de Deus.

Profeta é alguém engajado, atento, presente, fiel; gente sem compromisso com o êxito, com o sucesso e com o poder constituído; vê por detrás das aparências dos acontecimentos.

O AT valoriza tanto os Profetas que seus escritos forma uma das partes da Bíblia.

A época dos Profetas começa no tempo dos Reis.

No AT o termo "Profeta" (em hebraico = NABI) quer dizer: "falar com força", "Falar com entusiasmo".



  • são aqueles que falam em seu próprio nome, sem terem sido enviados (Jr 14,14; 23,16;27,15).
  • são aqueles que seguem a própria vontade (Ez 13,3).



Como falamos, Profeta não é uma pessoa que prevê o futuro, mas uma pessoa que fala em nome de Deus.

Encontramos na Bíblia 18 Livros Proféticos:
     
- Isaías: É o maior profeta de Israel. Nasceu em Jerusalém por volta do ano 760 a.C. Com 20 anos começou a profetizar. Exerceu essa missão durante 50 anos. 
É o profeta da Justiça.

Isaías, proveniente de uma família nobre, era um homem de elevada cultura. A sua vocação profética teve início no ano da morte do rei Ozias e prolongou-se pelos reinados dos reis de Judá: Jotam, Acaz e Ezequias. Este foi um período muito conturbado, com ameaças permanentes de invasões dos assírios, babilônios e egípcios.

O livro de Isaías (classificado pela Bíblia Cristã como livro profético) é, juntamente com o dos Salmos, o mais citado no Novo Testamento. Este divide-se em três secções bastante distintas: Isaías I, Isaías II (ou Livro da Consolação) e Isaías III.

O livro do Profeta Isaías tem 66 capítulos. Ele está dividido em 3 partes. A segunda parte foi escrita no tempo em que o povo foi preso e levado para a Babilônia. No cativeiro é necessário animar o povo e conservar-se fiel. Isaías transmite ao povo descrente, um novo conceito de Deus: Deus único, Deus vencedor. Ele ama sua terra e seus irmãos, por isso ele encoraja o povo, dizendo que Deus não quer ver seu povo escravo de ninguém.

Isaías é chamado de “servo sofredor” porque assume a missão, mesmo com perseguição, calúnia, tentação, incompreensão e abandono dos amigos.Isaías também foi o profeta que anunciou a vinda de Jesus Cristo e a verdadeira libertação.


(Profeta Isaías)

- Jeremias: Nasceu no ano 650 a.C. Profetizou durante quarenta anos. Foi o profeta das desgraças. Predisse a deportação dos judeus. Jeremias lutou pela reforma religiosa de Israel.



(Profeta Jeremias)

- Lamentações: Composto nos anos após a destruição de Jerusalém, em 586 a.C. Contém orações, lamentações e súplicas. Este Livro era lido anualmente pelos judeus, no aniversário da destruição do Templo.

- Baruc: O profeta exorta o povo a fazer penitência. Baruc quer dizer “abençoado”. Foi secretário de Jeremias.


(Profeta Baruc)

- Ezequiel: Ezequiel quer dizer “aquele que Deus faz forte”.Exerceu sua função no meio dos judeus deportados para a Babilônia.


(Profeta Ezequiel)

- Daniel: O autor do Livro é desconhecido. Daniel é o nome do personagem ideal que sofre no exílio. Tem fé viva e ardor patriótico. Foi escrito durante a perseguição de Antíoco, entre 167-163 a.C. O autor pretende consolar e animar os que são perseguidos pelo rei.



(Profeta Daniel)

- Oséias: Exerceu seu ministério por volta do ano 750 a.C. Fala da infidelidade de Israel para com seu Deus, e compara a união de Deus com seu povo ao amor de um noivado. É o profeta da Ternura de Deus. É chamado de Profeta Menor.

Oséias vive em um período em que os poderosos estão muito bem. Por isso, não se importam em serem fiéis a Deus. O rei da época, Jeroboão, para conquistar mais o povo, deixa que entrem muitos ídolos no meio dele.



(Profeta Oséias)

O nome "Oséias" quer dizer "salvação". Como freqüentemente acontece nos livros dos profetas, o nome do autor combina perfeitamente com a sua mensagem. Oséias condena os pecados do povo, mas apresenta uma mensagem de esperança e perdão.

O livro de Oséias, talvez mais do que qualquer outro livro do Velho Testamento, expõe o coração de Deus. Oséias vive no próprio casamento o que Deus estava passando em relação a Israel. Os primeiros três capítulos descrevem a vida de Oséias. Ele se casa, mas a mulher dele se torna adúltera. Ele sofre com a infidelidade dela, mas ainda mostra a misericórdia para tomá-la de volta. Assim Deus viu a sua noiva, o povo de Israel, se envolvendo com "outros deuses", ou seja, cometendo adultério espiritual. Mesmo depois de tudo que Israel havia feito, Deus teria graça e misericórdia para reconciliar com esta esposa adúltera e estabelecer uma nova aliança com ela.

O povo pode ser infiel, esquecer-se da Aliança. Mas Deus não é assim. Ele sempre espera a volta daquele que errou. O profeta Oséias, na sua pregação, mostra o coração de Deus cheio de amor e ternura. Deus é como um marido que ama sem limites a sua esposa e cuida da família com todo carinho.

- Joel: Profetizou no reino de Judá e Jerusalém, onde nasceu. Fala do culto divino e do amor Divino. É chamado de Profeta Menor.

- Amós: Era camponês, de alma simples e fervorosa.Pastor de ovelhas nas proximidades de Belém. Profetizou durante o reinado de Jeroboão II. Amós condenou as injustiças sociais que massacraram a Samaria. É chamado de Profeta Menor.

- Abdias: Profetizou pelos anos 550 a.C. Anunciou castigos contra Edom e o triunfo de Israel no dia de Javé. É chamado de Profeta Menor.

- Jonas: O Livro deve ser uma espécie de parábola. Mostra que Deus chama à conversão, não somente os judeus, mas também os pagãos. É chamado de Profeta Menor.

(Profeta Jonas)

- Miquéias: Nasceu perto de Hebron. Anunciou a ruína da Samaria. Predisse que o Messias nasceria em Belém. É chamado de Profeta Menor.

- Naum: O profeta fala da grandeza de Deus e do poder com que o Criador governa o mundo. Alegra-se com a queda de Nínive, que se deu no ano 608 a.C. É chamado de Profeta Menor.

- Habacuc: Profetizou entre os anos 625 a 598 a.C. Predisse a invasão dos caldeus. Foi um profeta filósofo. Anunciou que Deus salvaria os justos e puniria os maus. É chamado de Profeta Menor.

- Sofonias: Profetizou no reinado de Josias pelo ano de 625 a.C. Predisse a justiça divina, anunciando o Dia de Deus, ocasião em que serão punidos todos os maus, pagãos ou judeus. Fala também da felicidade dos tempos messiânicos. É chamado de Profeta Menor.

- Ageu: Exerceu seu ministério em Jerusalém no ano de 520 a.C, quando era reconstruído o templo. Anima o povo com esperança dos tempos messiânicos. Ageu quer dizer “aquele que nasceu durante a festa” ou “peregrino”. É chamado de Profeta Menor.

- Zacarias: É contemporâneo de Ageu. Prega uma reforma moral e exorta o povo a reconstruir o templo. Fala da vinda do Messias e da conversão das nações. É chamado de Profeta Menor.



(Profeta Zacarias)

- Malaquias: Malaquias quer dizer “meu mensageiro” Fala do amor de Deus pelo seu povo. Denuncia as infidelidades do povo. É chamado de Profeta Menor.

Existiram quatro Profetas chamados de grandes ou maiores: Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel; e treze chamados menores: Miqueias, Zacarias, Abdias, Malaquias, Baruc, Oseias, Joel, Amós, Jonas, Naum, Habacuc, Sofonias e Ageu. 

Eles são assim conhecidos pelo seu pequeno volume literário. A divisão em maiores e menores não quer dizer que os primeiros foram mais importantes, mas escreveram mais que os outros. O termo "maior" refere-se ao tamanho, não à importância. Os livros proféticos menos extensos são chamados "profetas menores". Também pode-se denominar como profetas "maiores" pelo tempo que duraram profetizando.


Aprofundamento:

Deus se manifesta aos seres humanos de diversos modos. Chamou Abraão, Isaac e Jacó. Aos poucos, Deus foi manifestando-se às pessoas, respeitando as suas realidades e limitações. No deserto, Deus conduziu, educou e provou o seu povo, ensinando-lhe  como devia a sua vontade. Agora, na Terra Prometida, Deus envia pessoas com a missão de anunciar a vontade de Deus e denunciar os seus erros e idolatrias (quando as pessoas buscam outros deuses). São os profetas.

O profeta é um crítico do rei, uma pessoa de profunda experiência de Deus e, também de uma profunda experiência da realidade do povo. O profeta sofria com a injustiça, a qual os pobres  eram acometidos. Por esses motivos, os profetas ajudavam o povo a conscientizarem-se da sua situação de opressão e falavam durante contra os poderosos. Eram eles que pediam ao povo que voltassem para Deus, que fossem fiéis à Aliança, lembrando-lhes que o caminho era seguir a Lei de Deus. Os profetas previam, também, dias melhores para todos se a injustiça fosse abolida.

O profeta vivia no meio do seu povo. O chamado de Deus era muito forte, como podemos ver em Samuel (cf. 1Sm 3,1-21). Esse grande profeta, ainda muito jovem, aceitou a missão que Deus lhe dava. Jeremias, Isaías, Ezequiel e outros também se sentiram chamados à vocação de profetas. Jeremias dizia: "seduziste-me, Senhor, e me deixei seduzir; lutaste comigo e me venceste" (cf. Jr 1,5-10.19). Antes mesmo de serem formados no ventre da mãe, Deus já os havia escolhido e consagrado (cf. Jr 1,5; Is 49,1-5).

Os profetas, quando se sentiam chamados, tinham medo da missão e tentavam se esquivar dela, porém o Senhor ia ao encontro deles e os ajudava. Deus deu uma missão a Jonas e ele fugiu de barco; houve uma grande tempestade e Jonas percebeu que era um sinal para ele e pediu que o jogassem no mar. Uma baleia o engoliu. No seio da baleia, Jonas rezou ao Senhor; depois de três dias, a baleia o vomitou perto de Nínive, local onde ele deveria anunciar o castigo de Deus, pelos pecados dos habitantes dessa cidade. O povo se converteu e fez penitência depois da pregação do profeta e Deus perdoou a cidade (cf. Jn 1-4).

O profeta falava em nome de Deus, denunciando o que estava errado e mostrando qual era a vontade de Deus. Ele estava atento  aos acontecimentos e procurava perceber quais eram os projetos de Deus para aquele momento e situação.

O profeta, para anunciar, usava a sua palavra e fazia gestos que facilitavam a compreensão da mensagem que tinham de transmitir. Deus manda Jeremias comprar uma bilha no oleiro e quebrá-la diante dos olhos dos que estivessem com ele, para anunciar a ira de Deus sobre o povo que se afastara de seus preceitos (cf. Jr 19,1.10).

O profeta anunciava com a sua própria vida. Deus manda que Oseias se case com uma mulher que se entregava à prostituição. Essa mulher era figura do povo de Israel que abandonava o Deus verdadeiro e saía em busca de outros ídolos. Cada filha que nascia  deste casamento era um sinal de Deus para o povo. Oseias é conhecido por anunciar o grande amor de Deus para com os homens. O amor de Deus pelos homens é mais forte do que o amor de uma mãe por seus filhos. Deus perdoa as infidelidades de seu povo, porque ele ama mais do que o esposo ama a sua esposa (cf. Os 11; Ez 16).

Elias, cujo nome significa "Deus é Javé", teve seu chamado para ser profeta em um dos piores períodos da história de Israel. Período este, marcado por crise, fome, miséria, corrupção e apostasia. Mas, em meio à crise, moral, social e espiritual, Deus pôde contar com a coragem e determinação de Elias, para ser seu porta-voz.

Vamos ouvir a história desse profeta de Deus:


4. História 

(1Rs 17; 1Rs 18-19; 2Rs 2) 

O tempo passou e muitos foram os reis que governaram Israel. Um desses reis foi Acab. Mas ele e sua família acabaram se afastando de Deus, e por isso o Senhor enviou um profeta chamado Elias para avisar ao rei: "Nestes anos, haverá uma grande seca na Terra, pois não choverá até que Deus mande." E Deus disse a Elias: "Saia daqui e vá se esconder perto do rio Jordão. Lá não lhe faltará nem água nem comida."

Elias fez tudo o que Deus havia mandado. E então as águas secaram, pois não chovia mais. Deus disse a Elias: "Pegue suas coisas e vá para Sarepta, na região de Sidônia, e fique morando lá. Porque eu mandarei uma viúva dar comida a você."

Elias novamente obedeceu e foi para Sarepta. Chegando lá, encontrou a viúva de que Deus havia falado e pediu para ela: "Por favor, me arranje um pouco de água para beber e pão para comer." A viúva respondeu: "Não tenho pão feito. O que eu tenho é farinha e azeite." E Elias disse: "Faça pão e traga para mim. Pois assim diz Deus: não faltará nem farinha nem azeite para você." A mulher fez tudo como Elias tinha mandado.

Mas o filho da viúva ficou doente e acabou morrendo. A viúva desconsolada, disse a Elias: "Não quero nada de você! Vá embora! Você veio para minha casa e meu filho morreu!" E Elias respondeu: "Traga aqui seu filho." Pegando o menino nos braços, Elias o levou até seu quarto.

No quarto, Elias deitou o menino na cama e chamou por Deus, dizendo: "Ó Deus, faça este menino voltar à vida." Deus atendeu o pedido de Elias e o menino voltou a viver. Elias pegou o menino, saiu do quarto e o entregou à mãe. A viúva disse a Elias: "Agora eu sei que você é um homem de Deus e que é verdade que você transmite a palavra do Senhor."

Muito tempo depois, no terceiro ano de seca, Deus falou para Elias: "Vá dizer ao rei Acab que vou mandar chuva sobre a Terra."

Elias partiu. Enquanto isso, o rei Acab chamou Abdias, que era o chefe do palácio, e falou: "Precisamos sair para procurar água." E eles foram andar pela região.

No caminho, Abdias e Elias se encontraram. O empregado do rei se ajoelhou diante de Elias e perguntou: "O Senhor não é Elias?" Elias respondeu: "Sou eu mesmo. Vá dizer ao seu patrão que Elias está aqui." E Abdias foi avisar o rei Acab.

Acab saiu ao encontro de Elias. Logo que o viu, disse: "Você é a destruição de Israel!" E Elias respondeu: "Não sou eu que estou destruindo Israel. É você e sua família, pois vocês abandonaram o Senhor para seguir outros deuses. Mande que todo o povo de Israel se reúna comigo no monte Carmelo." (Isso tudo porque o rei e sua família acreditavam em Baal, uma estátua de barro que adoravam como se fosse um deus).

Acab fez como Elias havia dito. Então, no monte Carmelo, o profeta Elias disse ao povo reunido: "Se Deus é o deus verdadeiro, sigam a Ele. Se for Baal, sigam. Vocês chamarão o deus de vocês e eu chamarei o meu Deus. Quem responder primeiro será o deus verdadeiro. Vamos colocar aqui dois montes de lenha e esperar que o deus verdadeiro mande o fogo".

Todos concordaram e começaram a dizer: "Baal, responda ao nosso chamado." Mas não se ouvia nenhuma voz e nenhuma resposta. E Elias começou a caçoar deles: "Gritem mais alto. Pode ser que Baal esteja ocupado, viajando, conversando ou até dormindo." Eles gritavam cada vez mais, porém nada acontecia.

Elias então chamou o povo. Pegou doze pedras, simbolizando cada tribo de Israel, e construiu um altar para Deus. Depois rezou: "Senhor, hoje todos irão saber quem é o Deus verdadeiro de Israel. Responda a mim  para que este povo reconheça o Senhor como Deus único e verdadeiro." E Deus mandou um raio, que pôs fogo na lenha. Ao verem isso, todos se ajoelharam, falando: "Este é o Deus verdadeiro de Israel."

Como o povo reconheceu o Deus verdadeiro, o Senhor perdoou o rei Acab por ter adorado a Baal e acabou com a grande seca. Elias disse a Acab: "Já posso até ouvir o barulho da chuva."

Depois disso, Deus falou para Elias: "Pegue o caminho em direção ao deserto de Damasco." E Elias partiu. Deus também revelou a Elias que seu sucessor como profeta seria um rapaz chamado Eliseu.

No caminho, Elias encontrou Eliseu cuidando de um rebanho de bois. Elias passou perto de Eliseu e jogou seu manto sobre ele (isso significava que Elias estava chamando Eliseu para ser seu discípulo). Eliseu não podia deixar de obedecer ao profeta do Senhor; então abandonou os bois e foi atrás de Elias. Mas pediu: "Deixe-me dizer adeus aos meus pais. Depois eu seguirei você." Elias respondeu: "Vá, mas volte logo."

Depois de se despedir de sua família, Eliseu passou a seguir Elias.

Assim, Eliseu tornou-se discípulo de Elias, junto com outros 50 profetas, que o seguiam por toda parte para aprender com eles. Certa vez, Elias foi até o rio Jordão com Eliseu e os profetas.

Os profetas ficaram a uma certa distância, enquanto os dois pararam à margem do rio. Então Elias pegou seu manto, enrolou-o e bateu com ele na água. A água se dividiu em duas partes e os dois passaram sem se molhar. Elias falou a seu discípulo: "Logo Deus irá me levar, então me peça o que você quer que eu faça por você antes de isso acontecer." Eliseu disse: "Deixe-me como herança uma parte do sue espírito." (Com isso, Eliseu estava deixando claro que queria ser reconhecido como principal herdeiro espiritual de Elias).

E, enquanto estavam andando e conversando, apareceu um carro de fogo com cavalos de fogo, que separou um do outro.





E Elias, no carro de fogo, subiu ao Céu em uma espécie de redemoinho. Eliseu pegou o manto de Elias, bateu com ele na água, que tornou a se dividir em duas partes. E ele atravessou o rio. Os profetas, ao verem Elias, disseram: "O espírito de Elias está sobre Eliseu."


Partilha:
  • Deus enviou um profeta para dar um aviso a um rei de Israel que, com sua família, abandonou o Senhor para seguir outros deuses. Qual o nome desse profeta? E o nome do rei?
  • Qual era o aviso?
  • O que aconteceu na casa da viúva de Sarepta?
  • Qual era o deus adorado pelo rei e sua família?
  • O que aconteceu no Monte Carmelo?
  • O que simbolizava as doze pedras que Elias usou para construir um altar para Deus no monte Carmelo?
  • Deus perdoou o rei Acab?
  • Já avisado por Deus sobre o seu sucessor, no caminho em direção ao Deserto de Damasco, Elias encontrou Eliseu. O que fez Elias? Que significava esse gesto?
  • Eliseu tornou-se discípulo de Elias, junto com outros 50 profetas, que o seguiam por toda parte. O que aconteceu com Elias, quando foi até o rio Jordão com Eliseu e seus profetas?
  • Depois, o que disse Elias a seu discípulo? O que Eliseu pediu?
  • Enquanto estavam andando e conversando, o que apareceu que separou um do outro?
  • O que aconteceu com Elias?
  • O que Eliseu fez com o manto de Elias?
  • Ao verem isso, o que disseram os profetas?

Conclusão:

A palavra do profeta era como uma espada afiada (cf. Is 49,2).

O profeta devia ser obediente à Palavra de Deus. Elias foi assim. Porém, perseguido e desanimado, foge para o deserto. Deus o alimenta e sacia sua sede; sustentado pelo alimento, caminha por quarenta dias até o Monte Horeb e lá se encontra com Deus (cf. 1Rs 19). O profeta, obediente. convoca os que o ouvem a obedecer. O profeta atesta a presença de Deus no meio dos homens. O profeta exige das pessoas uma decisão: "Somente ao teu adorarás e somente a Ele prestarás culto", e "não terás outros deuses diante de mim" (cf. Dt 6).

O profeta era uma pessoa de oração, ele tinha sempre Deus presente em sua vida e o contemplava (cf. 1Rs 19; Jr 1,4-10). Em todos os profetas podemos ler trechos de orações que dirigiam a Deus nos momentos de dúvida, de desânimo, de perseguição e ação de graças.

Os profetas eram perseguidos porque falavam a verdade e denunciavam as injustiças. Eles se colocavam ao lado dos injustiçados e oprimidos. Os profetas não conhecem a glória.  Isaías em seu capítulo 53 descreve a missão do Servo de Javé: aquele que termina sua missão como o cordeiro, se imolando em silêncio.

João Batista é o último profeta. Os profetas anunciaram o Messias. João Batista aponta o Messias e diz: "Eis o cordeiro de Deus" (cf. Jo 1,29). João Batista é o precursor (aquele que vem antes), foi enviado com a missão de preparar o caminho de Jesus, ele é o maior de todos os profetas, e deles é o último (cf. CIC, 523).




A vida e o ensinamento dos profetas se tornaram Palavra de Deus para os povos de ontem e de hoje. O próprio Jesus se inspirou muito nos profetas, sobretudo em Isaías para assumir sua missão.

Aquele que é chamado a ser profeta recebe  vocação, não em proveito próprio, mas ele é profeta para a comunidade. O profeta anuncia uma notícia e denuncia uma situação que oprime, que escraviza e que mata. Todos nós somos chamados a ser profetas, pelo Batismo.

Na nossa família, na comunidade, no bairro, na escola, em todo lugar onde estivermos  somos convidados a ser profetas. Procurar ver com os olhos de Jesus os acontecimentos, e procurar perceber os projetos de Deus para aquela situação. Ajudar os que estão perto de nós a enxergar com menos egoísmo e mais amor. Somos convidados a usar a nossa língua para anunciar a Palavra de Deus e denunciar aquilo que oprime, que esmaga os mais pequeninos.

No final da Missa, após a bênção, vamos embora. A missa terminou. A nossa missão tem início, missão de ser profeta. Missão de anunciar a Palavra de Deus que recebemos na celebração. Levar a bênção de Deus para os que não puderam estar na celebração. Não podemos guardar só para nós o que Deus  de graça nos dá: "de graça recebestes, de graça dai" (cf. Mt 10,8).

Gesto concreto: ser profeta, na família, na escola e na comunidade.

O profeta para ser profeta, primeiro escuta a Palavra de Deus para si mesmo.  O profeta tem um ouvido afinado e aberto. Ouvido aberto e olhos atentos para perceber a mensagem de Deus transmitida através dos acontecimentos e das pessoas que convivem com ele.
  • Como ser profeta hoje? O que precisa ser denunciado? O que devemos anunciar?
  • Evitar o preconceito, ajudar os que estão perto apontando novos caminhos.
  • Quais as pessoas que conhecemos e que são profetas, hoje?


5. Atividades

  • Dividir a turma em dois grupos.
  • Distribuir os 17 nomes dos livros proféticos para cada grupo, 01 cartolina e 01 tubo de cola. Os nomes devem estar recortados e fora de ordem.
  • Pedir aos catequizandos que os coloquem na ordem que encontramos na Bíblia, porém sem consultá-la, separando Profetas Maiores dos Profetas Menores. Certamente haverá dificuldade, observem os grupos e depois de algumas tentativas...                                                                                                                                   
  • Fale que agora eles podem consultar o índice bíblico. Os grupos devem colar na cartolina todos os nomes dos livros proféticos, observando a classificação.
  • A cartolina deverá estar com a identificação "Profetas Maiores" e "Profetas Menores" divididos por um traço. O grupo que terminar primeiro poderá ser premiado com balas, cartão etc. Observem se está correta a atividade de cada grupo.
  • Coloquem uma das cartolinas no quadro, parede ou em noutro material disponível e perguntem: Por que há a denominação Maiores e Menores?
  • Para concluir, questione:
            - Os Profetas Menores têm qualidade inferior?
            - Os Maiores são mais importantes?

  • Observe as respostas dos alunos e acrescente outras informações, caso necessário.



6. Oração Final e Encerramento


  • Leia o texto de Is 6,1-8.
  • Vamos memorizar a frase de prontidão que o Profeta Isaías proferiu a fim de que, cada um de nós se conscientize de que devemos estar sempre prontos a obedecer a Deus, pois ele só quer o nosso bem. Vamos repetir juntos: "Senhor, estou aqui, envia-me!"
  • Convidá-los a cantar ou ouvir: "Eis-me, aqui, Senhor!"
  • Finalizando: "Estivemos reunidos, em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém!"







Fontes:

  • Bíblia Sagrada
  • Catecismo da Igreja Católica
  • Livro do Catequista "Fé - Vida - Comunidade" - (Paulus)
  • Bíblia Sagrada para crianças (Ed. Canção Nova)
  • Livro "A Caminho da Eucaristia", de Maria de Lurdes M. Pincinato (Ed. Vozes)
  • Livro "Somos povo de Deus", do Pe. Orione Silva e Solange Maria do Carmo
  • Livro "Crescer em Comunhão" (Ed. Vozes) 







sexta-feira, 28 de março de 2014

A Ceia de Jesus



Objetivos:
  • Relatar a passagem da Última Ceia, onde Jesus instituiu o sacramento da Eucaristia.
  • Explicar o grande gesto de amor de Jesus, deixando a si mesmo como alimento no pão e Vinho.

Ambiente:
  • Bíblia
  • Velas

Recursos:
  • Fazer dois cartazes: um com figura da Ceia de Jesus e outro mostrando uma Família numa refeição.
  • Pão e uvas.




1. Acolhida e Oração Inicial

  • Acolher a todos com entusiasmo e carinho.  Fazer momento de animação, cantando músicas apropriadas.
  • Criar clima de oração. Cantar música suave, se for o caso.
  • Convidar cada um a fazer uma prece espontânea, pedindo a Jesus a paz, a alegria, a bondade e outras coisas que a pessoa quer ter em seu coração. A resposta poderá ser: Senhor Jesus, atenda a nossa prece. O catequista poderá incentivar, dando o exemplo: "Venha me dar a paz, Senhor Jesus", ou "Senhor Jesus, me ajude a ser bom" etc.
  • Encerrar repetindo a música anterior ou cantando outra apropriada.

2. Motivação

  • Mostrar o cartaz da família numa refeição:


  • Os catequizandos deverão conversar sobre o que acontece numa refeição em família. O que as pessoas fazem à mesa? Conversam. Comem. Alegram-se. É bom estar juntos!
  • O que não deveria acontecer numa refeição em família: Uma refeição em que faltasse o essencial para comer ...  Pessoas da família aborrecidas umas com as outras, aproveitando essa hora para discutir, para brigar.
  • Deixar que falem sobre como deve e o que não deveria acontecer no momento em que a família se reúne para as refeições.

Hoje, com alegria vamos ver como Jesus se fez alimento para nós, dando-nos o seu Corpo na Eucaristia.

Perguntar aos catequizandos se lembram do encontro em que falamos sobre Moisés: o que ele fez quando os filhos de Abraão estavam sofrendo como escravos no Egito.

Na noite antes do povo sair do Egito, fizeram uma refeição para festejar o grande acontecimento: a libertação da escravidão. Cada família preparou um cabrito, pão, verduras amargas,  e comeram. Esta passagem da escravidão para a libertação foi chamada de Páscoa.

Daí em diante, todos os anos o Povo de Deus comemora esse acontecimento com uma refeição igual a que eles fizeram na saída do Egito. 

Jesus também participou da Festa da Páscoa dos judeus. Jesus queria que as festas tivessem a alegria e a liberdade de filhos de Deus.

Para mostrar que queria que todas as pessoas fossem libertas, Jesus as acolhia, principalmente as pessoas que sofriam, as mais marginalizadas e abandonadas, e demonstrava muito amor por todas.

Ao aproximar-se a Festa da Páscoa, Jesus foi a Jerusalém. Muita gente o acompanhou, com alegria. Mas havia gente, principalmente os fariseus, que não gostava de Jesus porque Ele falava a verdade, mostrando os erros e a falsidade das pessoas. Por isso, os fariseus procuravam uma ocasião para matar Jesus.

Jesus entrou em Jerusalém aplaudido pela multidão. Mas Jesus sabia que as autoridades queriam prendê-lo e matá-lo. Jesus não era bobo. Ele sabia que os novos ensinamentos de Deus tinham provocado a raiva de muita gente importante. Então, Jesus resolveu fazer uma última ceia com os seus discípulos, para se despedir deles e lhes dar os últimos conselhos, a fim de que, quando ele morresse, seus amigos continuassem sua missão.



3. História


Jesus sabia que sua missão na terra estava chegando ao fim. Ele havia pregado a todos o amor. Havia feito muitos milagres. Mostrara que muitas coisas precisavam mudar, para que houvesse mais paz, amor e união no mundo. Ele queria que os discípulos continuassem a fazer o bem, como ele havia ensinado.
Por isso, Jesus reuniu os seus discípulos, pela última vez, e fizeram uma grande ceia: um jantar de despedida.

Durante a ceia, Jesus levantou-se da mesa, pegou uma toalha e enrolou-a na cintura. Pegou também uma bacia e um jarro de água. E, abaixando-se, começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com uma toalha.

Naquele tempo, o povo tinha  o mesmo costume de lavar os pés antes das refeições, porque havia muita poeira e o comum era andar descalço. Mas normalmente era um empregado da casa que vinha oferecer água para os convidados lavarem os seus pés. Por isso, os apóstolos se assustaram quando Jesus, dispensando o empregado, pegou ele mesmo a bacia e veio lavar os pés de cada um.

O apóstolo Pedro, achando aquilo estranho, disse a Jesus: "Olhe, não fica bem para o Senhor lavar os nossos pés. O Senhor é tão importante e esse serviço é do empregado. Os meus pés, eu não quero que o Senhor lave".

Mas Jesus disse a Pedro: "Você pode até não compreender isso agora. Mas eu espero que mais tarde você entenda. Se eu não lavar os seus pés, você não pode ser mais discípulo". Então, Pedro deixou Jesus lavar seus pés.

Quando terminou de lavar os pés de todos, Jesus guardou a bacia e a toalha, sentou-se à mesa e explicou aos apóstolos: "Quero que vocês entendam o que eu acabei de fazer. Vocês me cham de Mestre e Senhor e dizem que sou importante. E é verdade. Portanto, se eu, que sou importante, lavei os pés de vocês, vocês também devem lavar os pés uns dos outros. Estou dando o exemplo para que vocês façam o mesmo. Se vocês fizerem isso, vocês serão felizes."

Em seguida, estando todos à mesa, Jesus tomou o pão, abençoou e repartiu com os seus discípulos, dizendo: "Este é o cálice, que será entregue por vós!" Depois, no fim da ceia, Jesus tomou o cálice com vinho, abençoou e repartiu com os discípulos, dizendo: "Este é o cálice do meu sangue, o sangue da nova e eterna aliança, que será derramado por vós e por todos, para o perdão dos pecados. E acrescentou: "Eu quero que vocês façam isso em memória de mim."

Os discípulos cearam com Jesus. Comeram do pão abençoado e beberam do vinho. E entenderam que Jesus queria que eles continuassem  a se reunir sempre, mesmo depois que Jesus não estivesse mais na terra, para guardar a memória de tudo quanto Jesus havia feito e ensinado.

Foi assim que surgiu o sacramento da Eucaristia, que celebramos na missa. O padre repete as palavras de Cristo na última ceia e reparte com o povo o pão consagrado - que é o próprio Jesus. Enquanto fazemos isso, Jesus está vivo e presente em nossa memória e em nosso coração.

Os discípulos ficaram emocionados com tudo o que aconteceu naquela última ceia, que recordamos até hoje em toda missa que se celebra.


Partilha:

  • O que Jesus fez para se despedir dos seus discípulos?
  • Por que Jesus, e não um empregado, lavou os pés dos discípulos naquela ceia? O que ele queria ensinar com isso aos discípulos?
  • O que Jesus fez no fim da ceia, com o pão e o vinho?
  • Qual sacramento nasceu desse gesto de Cristo?




Conclusão:

Na última ceia de Cristo com seus discípulos, duas coisas muito importantes aconteceram. Primeiro, Jesus lavou os pés de seus amigos, mostrando que veio para servir a todos e pedindo que eles também vivessem para servir. Era o novo mandamento de Cristo: amai-vos uns aos outros, como eu vos amei. Depois, Jesus abençoou pão e vinho e repartiu com eles. Estava instituindo um sacramento, ou seja, um sinal sagrado, que chamamos hoje de  Eucaristia ou comunhão. Em todas as missas, o padre repete as palavras de Cristo na última ceia. Dessa forma, guardamos na memória tudo o que Jesus fez. Memória serve para lembrar, para atualizar, para recordar. Ao celebrar a Santa Eucaristia, atualizamos o gesto de Jesus e perpetuamos sua presença, junto de nós. Isso nos incentiva a continuar nossa missão e nos amar uns aos outros, como ele mesmo nos amou.


4. Leitura


a) Lc 19, 28.37-44

Jesus, um dia antes de sua morte na Cruz, pede aos apóstolos para preparar uma sala para celebrar com eles a Páscoa.


b) Lc 22, 14-20

Jesus celebra, nessa refeição, a Nova Páscoa e deixa para todos nós um Novo Mandamento: "Amai-vos uns aos outros como eu vos tenho amado".

Jesus quis ficar sempre conosco. Por isso, nesta refeição de Páscoa, Ele se torna Alimento - a Eucaristia - que nos dá forças para caminharmos sempre unidos.

Os apóstolos, nesta Ceia com Jesus, comeram também o Alimento. Estavam unidos. Jesus quer que a vida das pessoas seja uma vida de união, de comunhão.

Devemos repartir o amor e a amizade com as pessoas. E repartir tudo aquilo que temos e o que sabemos. Só assim a nossa vida se torna uma vida de comunhão. Não devemos agir egoisticamente, mas devemos repartir tudo aquilo que temos com o outro que tem menos.


5. Atividades

  • Convidar a turma para fazer uma encenação do lava-pés, recordando o gesto de Jesus com seus apóstolos, como se costuma fazer também na Semana Santa. Ver se as crianças se lembram de como se celebra a última ceia na quinta-feira santa.
  • Durante a encenação, cantar a música nº 8 do CD do Livro do Padre Orione, ou outra à escolha.
  • O Lava-pés pode ser feito de duas formas:
       1º)  Um  catequista,  com  vestes  típicas  para  representar Jesus,  lava  e 
              enxuga os pés de todas as crianças.
       2º)  Um catequista lava os pés da primeira criança  e  esta lava os  pés  da 
              próxima  e  assim  por  diante,   uns  lavando  os  pés  do  outro,  até 
              percorrer toda a roda. Sugerimos  que  o catequista escolha  a  forma 
              mais prática para a sua turma, para evitar tumulto nessa hora.


6. Oração Final e Encerramento

  • Preparar, simbolicamente, uma mesa para um "banquete". A mesa é o "Reino", o "banquete" é a alegria de estar com Deus, as velas são a luz da Palavra, os "participantes" são os amigos, os convidados. Levar pão e uvas.
  • Ficar um instante em silêncio. Convidar para agradecer a Jesus pelos seus ensinamentos.
  • Erguer as mãos e rezar: Muito obrigado, ó Jesus, por todas as coisas que  o Senhor nos ensinou. Muito obrigado, por nos ensinar a amar e servir aos irmãos, vivendo unidos  a todos e tratando a todos com bondade . Venha nos ajudar a praticar todos esses ensinamentos. Amém!
  • Motivar para o próximo encontro. Encerrar, cantando músicas animadas.








Fontes:

  • Bíblia Sagrada
  • Livro Fé - Vida - Comunidade (Ed. Paulus)
  • Livro Conhecendo Jesus, do Pe. Orione Silva e Solange Maria do Carmo














quinta-feira, 27 de março de 2014

Domingo de Ramos


A Semana Santa começa no domingo chamado de Ramos porque celebra a entrada de Jesus em Jerusalém montado em um jumentinho – o símbolo da humildade – e aclamado pelo povo simples que o aplaudia como “Aquele que vem em nome do Senhor”.
Esse povo tinha visto Jesus ressuscitar Lázaro de Betânia  há poucos dias e estava maravilhado. Ele tinha a certeza de que este era o Messias anunciado pelos Profetas; mas esse povo tinha se enganado no tipo de Messias que ele era. Pensavam que fosse um Messias político, libertador social que fosse arrancar Israel das garras de Roma  e devolver-lhe o apogeu dos tempos de Salomão.
Para deixar claro  a este povo que ele não era um Messias temporal e político, um libertador efêmero, mas o grande libertador do pecado, a raiz de todos os males, então, Ele entra na grande cidade, a Jerusalém dos patriarcas e dos reis sagrados, montado em um jumentinho;  expressão da pequenez terrena. Ele não é um Rei deste mundo!
Dessa forma o  Domingo de Ramos é o início da Semana que mistura os gritos de hosanas com os clamores da Paixão de Cristo. O povo acolheu Jesus abanando seus ramos de oliveiras e palmeiras. Os ramos significam a vitória: “Hosana ao Filho de Davi: bendito seja o que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel; hosana nas alturas”.
Os Ramos santos nos fazem lembrar que somos batizados, filhos de Deus, membros de Cristo, participantes da Igreja, defensores da fé católica, especialmente nestes tempos difíceis em que ela é desvalorizada e espezinhada.
Os Ramos sagrados que levamos para nossas casas após a Missa, lembram-nos que estamos unidos a Cristo na mesma luta pela salvação do mundo, a luta árdua contra o pecado, um caminho em direção ao Calvário, mas que chegará à Ressurreição.
O sentido da Procissão de Ramos é mostrar essa  peregrinação sobre a terra que cada cristão realiza a caminho da vida eterna com Deus. Ela nos recorda que somos apenas peregrinos neste mundo tão passageiro, tão transitório, que se gasta tão rápido. Ela nos mostra que a nossa pátria não é neste mundo mas na eternidade, que aqui nós vivemos apenas em um rápido exílio em demanda da casa do Pai.
A Missa do domingo de Ramos traz  a narrativa de São Lucas sobre a paixão de Jesus: sua angústia mortal no Horto das Oliveiras, o sangue vertido com o suor, o beijo traiçoeiro de Judas, a prisão, os mau tratos nas mãos do soldados na casa de Anãs, Caifás; seu julgamento iníquo diante de Pilatos, depois, diante de Herodes, sua condenação, o povo a vociferar “crucifica-o, crucifica-o”; as bofetadas, as humilhações, o caminho percorrido até o Calvário, a ajuda do Cirineu, o consolo das santas mulheres, o terrível madeiro da cruz, seu diálogo com o bom ladrão, sua morte e sepultura.
A entrada “solene” de Jesus em Jerusalém foi um prelúdio de suas dores e humilhações. Aquela mesma multidão que o homenageou motivada por seus milagres, agora lhe vira as costas e muitos pedem a sua morte. Jesus que conhecia o coração dos homens não estava iludido. Quanta falsidade nas atitudes de certas pessoas!
Quantas lições nos deixam esse domingo de Ramos!
O Mestre nos ensina com fatos e exemplos que o seu Reino de fato não é deste mundo. Que ele não veio para derrubar César e Pilatos, mas veio para derrubar um inimigo muito pior e invisível, o pecado. E para isso é preciso se imolar; aceitar a Paixão, passar pela morte para destruir a morte; perder a vida para ganhá-la.
A muitos ele decepcionou; pensavam que ele fosse escorraçar Pilatos e reimplantar o reinado de Davi e Salomão em Israel; mas ele vem montado em um jumentinho frágil e pobre. Que Messias é este? Que libertador é este? É um farsante! É um enganador, merece a cruz por nos ter iludido. Talvez Judas tenha sido o grande decepcionado.
O domingo de Ramos ensina-nos que a luta de Cristo e da Igreja, e consequentemente a nossa também, é a luta contra o pecado, a desobediência à Lei sagrada de Deus que hoje é calcada aos pés até mesmo por muitos cristãos que preferem viver um cristianismo “light”, adaptado aos seus gostos e interesses e segundo as suas conveniências. Impera como disse Bento XVI, a ditadura do relativismo.
O domingo de Ramos nos ensina que seguir o Cristo é renunciar a nós mesmos, morrer na terra como o grão de trigo para poder dar fruto, enfrentar os dissabores e ofensas por causa do Evangelho do Senhor. Ele nos arranca das comodidades, das facilidades, para nos colocar diante Daquele que veio ao mundo para salvar este mundo.

Prof. Felipe Aquino

Aprendendo com a Natureza



"Só Deus é capaz de criar, de produzir algo a partir do nada. Deus criou o céu, a terra, o sol, a lua, as estrelas, a água, o mar, a erva verde com sementes, as árvores frutíferas, os répteis, as aves, os peixes, os animais domésticos, os animais selvagens e, finalmente, criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, como a obra mais perfeita e grandiosa.

Deus, em seu amor, criou o universo inteiro de modo inteligente e organizado. Criou todas as maravilhas que vemos, pensando em nós, em nossa felicidade. 

Deus criou o o ser humano à sua semelhança e lhe confiou o mundo. Ao criar o ser humano, Deus o abençoou de um modo todo especial e confiou a ele toda a criação, para que cuidasse dela com amor.





A natureza é uma bela obra de Deus; toda ela foi feita para nós num gesto de amor do Senhor. Sendo divina, a natureza está repleta de beleza, harmonia, cores e lições que nos ensinam a viver. Jesus a usava sempre em Seus ensinamentos. "Olhai os lírios do campo!", "Veja a semente da mostarda", "Olhe os pastores e as ovelhas". Olhai para os campos, onde todas as coisas falam do amor, onde os ramos se abraçam, as flores dançam, os pássaros namoram, onde a natureza toda glorifica o Espírito.

Galileu disse que a natureza é um documento escrito nas linguagens matemáticas. Tudo nela é preciso, ordenado e belo. Os elétrons giram em torno do núcleo do átomo com leis precisas; os planetas giram todos em torno do sol, obedecendo as três leis precisas que Kepler descobriu. Todos os corpos caem em queda livre com a mesma aceleração da gravidade que Torricelli determinou fazendo experiências na Torre de Pisa.

Você pode não receber flores todos os dias em sua casa, mas Deus as manda pela natureza quando você vai para o trabalho. A natureza é séria, calma, silenciosa, severa, sempre verdadeira. Os erros é que são nossos.





Um provérbio diz que "Deus perdoa sempre, o homem de vez em quando, a natureza nunca". Ela não tem raciocínio e não tem coração, mas vive dentro de sua perfeição mineral, vegetal e animal. Cabe a nós cuidarmos dela para podermos desfrutar bem de suas dádivas. Na natureza não há recompensa ou castigos. Há apenas consequências. A primeira lição que ela nos dá é que Deus existe. A natureza não poderia existir com tanta beleza e perfeição se não houvesse um Criador poderoso e bondoso. Como disse o francês Voltaire, não pode haver um relógio sem um relojoeiro.

Nunca acredite no acaso, por favor, pois acaso é o apelido que dão a Deus aqueles que não têm coragem de pronunciar o Seu nome. Esses são infelizes, porque renegam o próprio Criador e jamais experimentarão a verdadeira felicidade.

Olhe, por exemplo, para as vacas e lembre-se de que os maiores cientistas nunca descobriram como tirar leite do capim. Gratuitamente, a natureza faz isso para nós. Nenhum prêmio Nobel, até hoje, jamais conseguiu compreender o que é a vida de uma simples formiga.

Padre Antônio Vieira disse que ser mestre, na fé, nos faz discípulo da natureza. De fato, a natureza é mestra. O pesquisador inglês Eddington dizia que "nenhum ateu é admirador da natureza".

O mundo natural é lento e seguro, mas não para. É um lema de vida: viver de maneira lenta, mas sem parar, pois a pressa é inimiga da perfeição. Quanto mais complexo é um trabalho, mais devagar ele deve ser feito. O tempo destrói tudo o que é construído sem a sua colaboração.






Em um mosteiro, um jovem discípulo questionou seu mestre: "Mestre, como faço para não me aborrecer? Algumas pessoas falam demais ou são ignorantes, outras são indiferentes. Sinto ódio dos mentirosos, sofro com as pessoas que caluniam e não suporto as falsas e invejosas." "Viva como as flores!", advertiu o mestre. "Como é viver como as flores?", perguntou o discípulo. "Repare nas flores", continuou o mestre, apontando os líricos que cresciam no jardim. "Elas nascem no esterco, entretanto, são puras e perfumadas. Extraem do adubo malcheiroso tudo que lhes é útil e saudável, mas não permite que o azedume da terra manche o frescor de suas pétalas".





É justo angustiar-se com as próprias culpas, mas não é sábio permitir que os vícios dos outros nos importunem. Os defeitos deles são deles e não nossos. Se não são nossos, não há razão para nos aborrecermos. Exercite, pois, a virtude de rejeitar todo o mal que vem de fora. Isso é viver como as flores.

Olhe para o mar, majestoso e belo. Ele é grande, porque aceitou humildemente ficar alguns milímetros abaixo de todos os rios da terra; por isso é imenso. Todos podem vê-lo, porque ele permite que todos os rios – grandes e pequenos – nele deságuem e lhes tragam as suas riquezas. Muitos homens excluem com facilidade os outros e deixam de receber suas riquezas. O mar interliga as nações, une os povos, aceita a simples canoa do pescador e também o gigantesco transatlântico. Ele não discrimina nada nem ninguém, é "pobre de espírito", por isso é muito rico. O oceano está pronto a dar seu peixe ao pobre pescador e à grande companhia de pesca que o desbrava. Ele só faz mal a quem não conhece a sua natureza e desrespeita a suas leis.





Olhe para o céu. Ele nos ensina muitas maravilhas! Antes de tudo, é imenso, maior do que a terra e o mar, e não pode ser medido. Os cientistas se angustiam procurando os seus limites insondáveis. Eles sabem que o universo se expande com uma velocidade fantástica! Ninguém sabe onde ele termina. Penso que Deus o fez assim, incomensurável, para nos deixar uma pequena amostra de Sua infinitude, a fim de que ninguém jamais duvide de Sua grandeza e de Seu poder."




Prof. Felipe Aquino





Aprendendo com a natureza






"Deus é o criador de tudo, nada existe sem que tenha sido criado por Ele; toda a natureza é obra do seu amor, sabedoria e bondade. São Tomás de Aquino dizia que: “Aberta a mão pela chave do amor, as criaturas surgiram”. Por isso, a Liturgia reza na Missa: “os Céus e a Terra proclamam a Vossa Glória”; e mais: “Tudo o que criastes proclama o Vosso louvor”; por isso é “nosso dever e salvação dar-Vos graça em todo tempo e lugar  Pai Santo…”
A Sagrada Escritura diz que: “No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gn 1,1). “Foi pela fé que compreendemos que os mundos foram formados por uma palavra de Deus. Por isso é que o mundo visível não tem sua origem em coisas manifestas” (Hb 11,3). “No princípio era o Verbo… e o Verbo era Deus… Tudo foi feito por ele, e sem ele nada foi feito” (Jo 1,1-3).

Como toda a natureza (mineral, vegetal, animal, humana) é obra de Deus, então, ela traz em si sinais da perfeição de Deus. O nosso Catecismo diz no § 293: “Eis uma verdade fundamental que a Escritura e a Tradição não cessam de ensinar e de celebrar: “O mundo foi criado para a glória de Deus”; não para aumentá-la, mas para manifestá-la. O salmista canta: “Quão numerosas são as tuas obras, Senhor, e todas fizeste com sabedoria!” (Sl 104,24).
Os Apóstolos São Pedro e São Paulo compararam o Reino de Deus a uma lavoura, por isso passei a observá-las. Na minha casa eu tenho uma pequena horta onde cultivo couves, alfaces e espinafres. Nos intervalos do trabalho vou ali e descanso cuidando das plantas, e aprendo com a natureza.
Sem molhar bastante o canteiro não consigo retirar as ervas daninhas com a raiz; e se não for assim, a erva logo renasce. Então aprendi que também para retirar as ervas daninhas das almas, os pecados, com a Confissão, é preciso molhar bastante o terreno da alma com orações e meditações, senão a erva daninha não sai com a raiz. Não podemos fazer uma conversão apressada, na base da emotividade, às pressas, sem “molhar profundamente a alma” com a água da graça de Deus, senão a erva do pecado volta a crescer e mata a boa planta.
Aprendi também que é preciso estar atento porque a cada dia nascem novas ervas más e é preciso arrancá-las na raiz. Um provérbio chinês diz que não é a erva daninha que mata a planta, mas a preguiça do lavrador.
Aprendi também que a boa plantinha nasce muito pequena e frágil e que é preciso cuidá-la com muito carinho, não deixando de regá-la todos os dias. 
Assim também é na evangelização; se as almas abertas a Deus não forem “regadas” diariamente pela oração, vida sacramental, meditação da Palavra de Deus, etc., a plantinha da fé não sobrevive. Não adiante molhar muito planta apenas uma vez por semana; é preciso regá-las todos os dias. Mozart disse que quando ele ficava um dia sem tocar seu piano, no dia seguinte ele notava que estava pior; quando ficava dois dias sem tocar, os mais íntimos notavam; quando ficava três dias sem tocar, toda a plateia notava.
Aprendi também que se o canteiro não for bem preparado, a terra bem afofada, as pedras retiradas, o adubo colocado, a planta não cresce. Fiquei pensando na evangelização: se não houver uma terra bem preparada a semente não brota; e se brota, não cresce; e se cresce, não dá fruto; e se dá fruto, é minguado. É por isso que Jesus caminhou três anos com os Apóstolos, molhando a terra de suas almas, afofando o chão duro dos seus corações, adubando com as orações, pregações, milagres, paciência, amor, etc.

Este é um pequeno exemplo de que podemos aprender muito com a natureza, porque ela é divina, como disse um grande cientista: a criação é uma obra de arte que Deus escreveu na linguagem matemática. Observe o seu silêncio, a sua perfeição, a sua  beleza… e você verá que “tudo o que criastes proclama o Vosso louvor”.

Prof. Felipe Aquino






Onde está Deus?

Onde está Deus?", pergunta o cientista , "ninguém O viu jamais. Quem Ele é?" Responde às pressas o materialista: "Deus é somente uma invenção da fé!", o pensador dirá, sensatamente: "- Não vejo Deus, mas sinto que Ele existe! A natureza mostra claramente em que o poder do Criador consiste". Mas o poeta dirá, com segurança de quem afirma porque tem certeza: "- Eu vejo Deus no riso da criança, no céu, no mar, na luz da natureza! Contemplo Deus brilhando nas estrelas, no olhar das mães fitando os filhos seus. Nas noites de luar claras e belas, que em tudo pulsa o coração de Deus! Eu vejo Deus nas flores e nos prados, nos astros a rolar pelo infinito. Escuto Deus na voz dos namorados e sinto Deus na lágrima do aflito! Percebo Deus na frase que perdoa; contemplo Deus na mão que acaricia; escuto Deus na criatura boa; e sinto Deus na paz e na alegria! Eu vejo Deus no médico salvando; pressinto Deus na dor que nos irmana; descubro Deus no sábio procurando compreender a natureza humana! Eu vejo Deus no gesto de bondade; escuto Deus nos cânticos do crente; percebo Deus no sol, na liberdade e vejo Deus na planta e na semente! Eu vejo Deus, enfim, por toda parte, que tudo fala dos poderes seus. Descubro Deus na expressão da arte; no amor dos homens também sinto Deus! Mas onde sinto Deus com mais beleza, na sua mais sublime vibração, não é no coração da natureza, é dentro do meu próprio coração."

Dr. Agnaldo Bahia Monteiro









Quinto mandamento: Não matar




Quinto mandamento: Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo).

Uma professora quis ensinar à sua turma os efeitos do bullying. Deu a todos os alunos uma folha de papel e disse-lhes para “a” machucarem, para “a” deitarem no chão e para “a” pisarem. Resumindo, podiam estragar a folha o mais possível mas não rasgá-la.

As crianças estavam entusiasmadas e fizeram o seu melhor para machucarem a folha, tanto quanto possível. A seguir a professora pediu-lhes para apanharem a folha e abri-la novamente com cuidado, para não rasgarem a mesma. Deviam endireitar a folha com muito cuidado o mais possível.


A professora chamou-lhes a atenção para observarem como a sua folha estava suja e cheia de marcas. Depois disse-lhes para pedirem desculpa ao papel em voz alta, enquanto o endireitavam.

Eles mostravam o seu arrependimento e passavam as mãos para alisarem o papel, mas a folha não voltava ao seu estado original. Os vincos estavam bem marcados. 

A professora pediu para que olhassem bem para os vincos e marcas no papel. E chamou-lhes a atenção para o fato de que estas marcas NUNCA mais iriam desaparecer, mesmo que tentassem repará-las.

É isto o que acontece com as crianças que são gozadas por outras crianças, afirmou a professora. Podem pedir desculpas, podem tentar mostrar o seu arrependimento, mas as marcas, essas ficam para sempre.

Os vincos e marcas no papel não desapareceram, mas as caras das crianças deram para perceber que a mensagem da professora foi recebida.

(Autor desconhecido)